
Subiu para 40 o número de mortes após um temporal que atingiu a Zona da Mata mineira entre segunda (23) e terça-feira (24). Em Juiz de Fora (MG), foram contabilizados 34 óbitos até a última atualização desta reportagem. Já em Ubá (MG), há 100 km de distância, faleceram 6 pessoas.
Essas foram as únicas cidades da região a terem mortes por chuva, segundo informações foram confirmada pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pela Polícia Militar ao iG. Ainda há 27 pessoas desaparecidas após as chuvas, sendo 25 delas em Juiz de Fora e 2 em Ubá. Foram resgatados com vida 40 e 80 pessoas, respectivamente.
As cidades de Matias Barbosa (MG) e Senador Firmino (MG) também registraram inundações, deslizamentos, alagamentos e desabamentos, segundo balanço divulgado pelo governo de Minas Gerais durante coletiva.
Tragédia em Juiz de Fora

A maior cidade da Zona da Mata mineira acordou na terça-feira (24) com mais de 10 mortes. Porém, ao longo do dia, o número aumentou progressivamente. Na madrugada de quarta-feira (25), outros 5 corpos foram localizados, totalizando 36 mortes somente no município. Há ainda 28 pessoas desaparecidas e mais de 3 mil desabrigadas.
Segundo a Prefeitura, o volume foi de 190,8 mm no pluviômetro do bairro Nossa Senhora de Lourdes. O volume registrado em poucas horas foi equivalente ao esperado para quase todo o mês de fevereiro.

O acumulado provocou no município alagamentos generalizados de vias públicas, enxurradas, deslizamentos de terra, desabamento de muros e bloqueios de trânsito, além de diversos pontos de risco geológico em áreas urbanas.
Ao menos 74 residências caíram somente em Juiz de Fora, conforme informado pelo Governo de Minas.
Devido aos estragos, a administração municipal suspendeu aulas e parcialmente o transporte público durante a terça-feira, além de recomendar que seus habitantes não saíssem de casa se não fosse necessário.
A cidade tem um "desprevilégio" geográfico por ser rodeada de cadeia de montanhas, com altitude mínima de 467 km e máxima de 1.104, sendo uma espécie de "vale" onde há moradores no centro. As nuvens se acumulam e, com alta densidade, o que torna o município sucetivo para grandes desastres.
Juiz de Fora é uma das 10 cidades com mais pessoas em áreas de situação de risco para desastres naturais, de acordo com relatório de 2025 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O município tem 128.946 das 540.756 pessoas em situação de vunerabilidade para desastres naturais. O valor representa 23,85%.
O fenômeno fez com que um dos pontos mais conhecidos da cidade sofresse com deslizamento, o que acarretou em desabamentos de casas próximas ao Morro do Cristo.
A Prefeitura decretou 3 dias de luto, válidos desde a terça-feira (24).
Ubá debaixo de água

Ubá, cidade há 100 km de distância de Juiz de Fora, foi a segunda mais afetada em número de mortes na região. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município acumulou cerca de 170 milímetros de precipitação no dia da tragédia, volume considerado elevado para o intervalo registrado.
Seis pessoas morreram no município, de acordo com a Polícia Militar. Um outro homem veio à óbito ao ser eletrocutado por fio solto em uma rua cheia de lama do Centro.
Em outro ponto, vídeos que circulam na internet mostra três idosas sendo resgatadas após uma casa de repouso alagar por conta da enxurrada.
O Cabo Martins, da Polícia Militar de Ubá, relatou ao iG que agora a atenção na cidade é máxima.
"Ubá está em situação de emergência por causa da enchente. Eu peço com toda a clareza, não é momento de curiosidade. Pessoas nas ruas estão atrapalhando os trabalhos das equipes e podem se tornar novas vítimas".