Moradores fazem resgate de vizinhos com ajuda de cordas em Jucuruçu, na Bahia
Reprodução/redes sociais
Moradores fazem resgate de vizinhos com ajuda de cordas em Jucuruçu, na Bahia

A população da Bahia enfrenta o 4º dia seguido de chuvas e alagamentos por conta de um ciclone tropical que atinge as regiões sul e extremo sul do estado, e parte de Minas Gerais. Ao iG, moradores da região que tentam auxiliar no resgate e no envio de mantimentos para quem está isolado e sem energia elétrica denunciam a assistência precária fornecida pelos governos estadual e federal diante da situação.

Uma moradora de Itamaraju, que preferiu não se identificar, relata a situação desesperadora pela qual a região passa. A chuva começou na terça a noite, e durante a madrugada, já invadiu casas e obrigou a população a fugir das enchentes, muitas vezes só com a roupa do corpo.

"Graças a Deus as pessoas conseguiram subir para lugares altos, como vemos em muitos vídeos. Ficamos desesperados, não sabíamos o que fazer. Itamaraju, Jucuruçu e Nova Alegria são os mais afetados", conta.

Ela afirma que as estradas que interligam os municípios cederam, deixando parte da população ilhada. Segundo ela, os moradores contam com uma rede de apoio organizada por eles próprios, que contou com apoio pontual de alguns políticos, na falta de uma assistência adequada do Governo do Estado, comandado por Rui Costa (PT).

"Um deputado enviou um helicóptero de pequeno porte particular, aí conseguiram gravar de cima - e nem conseguiram sobrevoar por muito tempo - e começamos a chamar atenção da mídia", conta.

"Quando conseguimos atenção, o governador enviou dois helicópteros, mas foi o mesmo que nada. Pelo relato das pessoas que estavam perto, eles voaram até alguns distritos e levaram doações que o povo conseguiu. Estamos revoltados porque o governador postou no Instagram como se tivesse feito algo. Não fizeram nada! Quem fez quase tudo foi a população. Tem gente só com a roupa do corpo!".

As jovens Camila Reis e Aiala Figueredo entraram na corrente para auxiliar a população. Com a página Jucuruçu Solidário no Instagram (@jucurucu.solidario), elas tem arrecadado doações para a reconstrução da cidade, que está devastada.

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"A zona rual [de Jucuruçu] está mais em perigo em relação às enchentes. Eles estão ilhados, não tem acesso à rua, aos mercados. Aqui [na cidade] estamos conseguindo ter um pouco de acesso - tem gente colocando a vida em risco, atravessando nadando, para poder levar comida para esse pessoal. Mas na zona rural não há como ter acesso a nada", conta Camila.

"A organização está sendo toda feita pela população, nós moradores. Estamos recebendo dinheiro e comprando nos mercados da região. Ontem recebemos mais de 200 cestas e água. Antes da enchente, já estávamos sem água da rua e para beber, e nem para comprar. Estamos precisando de ajuda de fora. Essas cestas já acabaram, nem todas as famílias receberam", completa.

Os moradores conseguiram distribuir as doações com a ajuda de voluntários, o acesso às cidades no entorno de Jucuruçu, porém, é dificultado pela interdição de alguns trechos. Em alguns locais, estradas e pontes cederam.

"Estamos até que estabilizados no que diz respeito à fome. Mas não temos água de forma nenhuma. Temos para receber, mas a barragem da BR 101, que dá acesso à reunião, está aberta, a posta quebrou ao meio. Do outro lado da cidade, as pontes quebraram. O prefeito, o governador, não estão ajudando", desabafa.

A dupla está recebendo doações por meio dos perfis nas redes sociais. É também no Instagram que os moradores estão se mobilizando na força tarefa de distribuir mantimentos e auxiliar pessoas com pouca mobilidade.

O iG entrou em contato com o governo da Bahia, e aguarda posicionamento. 

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