Idosos
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Um mês após o início da aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 na terceira idade no Rio, pelo menos 72.762 idosos aptos a tomá-la ainda não foram aos postos.

O número, disponível no vacinômetro virtual da prefeitura, se refere aos idosos com 80 anos ou mais que receberam a segunda dose, faixa etária que já foi totalmente contemplada pelo calendário da terceira dose. A quantidade de retardatários nesse grupo corresponde a mais de um quarto de seu contingente (27%).

O cronograma de vacinação da prefeitura também já incluiu as idades de 78 e 79 anos, cujos números específicos não estão disponíveis no vacinômetro. O painel só traz o recorte da faixa etária dos 75 a 79 anos, em que já foram registradas 16.016 mil doses de reforço aplicadas até o início da tarde de ontem. 

Por outro lado, outra fonte oficial sobre a vacinação no Rio, o Sistema de Informações em Saúde da prefeitura (conhecido como tabnet municipal), indica que 45.477 idosos de 78 e 79 anos tomaram a segunda dose ou dose única do imunizante e, por isso, em tese, estão aptos a receber a terceira. No entanto, quando se compara esse número com a quantidade de idosos de 75 a 79 anos já com reforço exibida no vacinômetro, vê-se uma diferença de 29.461 pessoas. Isso indica que o buraco na cobertura da terceira dose pode ser ainda maior.

O tabnet aponta também uma grande lacuna na aplicação do reforço em imunossuprimidos, outro grupo elegível para a terceira dose. Em pouco mais de duas semanas, 1.476 pessoas com problema de imunidade receberam a injeção, o que corresponde a 2% do total de imunossuprimidos que tomaram a segunda dose ou dose única. O vacinômetro municipal não tem dados sobre a vacinação desse grupo específico.

Reforço após 3 meses

Por determinação da Secretaria municipal de Saúde (SMS), pessoas com 60 anos ou mais devem tomar a terceira dose pelo menos três meses após a segunda. Já pessoas com imunossupressão, que incluem pacientes que fazem hemodiálise e quimioterapia para tratamento de câncer e em outras condições, podem tomar o reforço 28 dias após ter completado o ciclo vacinal.

Na avaliação do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a dificuldade de deslocamento é um dos maiores empecilhos para a vacinação dos idosos, sobretudo na faixa dos 80 anos ou mais. Esta é a razão por que a prefeitura voltou a disponibilizar a aplicação em domicílio, cujo pedido pode ser feito pelo site da administração municipal.

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A adesão ao serviço, entretanto, está baixa se comparada à primeira fase da campanha. Naquela época, quando os idosos abriram a fila para a primeira dose, a SMS recebeu ao todo 14.611 pedidos de atendimento em casa. Para a aplicação da terceira dose, a pasta só registrou 3.321 chamados até agora.

— A secretaria está montando uma série de estruturas de vacinação em casa. É importante que as pessoas acima de 60 anos saibam que, se elas tiverem tomado apenas duas doses, elas ainda não estão plenamente imunizadas. Acreditamos que a adesão ao reforço vai aumentar ao longo de outubro — diz o secretário.

A partir da última sexta-feira, dia 1º, o “passaporte da vacina” no Rio passou a exigir a segunda dose em dia de todas as pessoas com 40 anos ou mais. A iniciativa também começou a valer anteontem em Niterói, onde o documento é cobrado em equipamentos culturais, como o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Theatro Municipal.

Na capital, a medida foi restabelecida na sexta-feira pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Ele derrubou uma liminar do Tribunal de Justiça do Rio que alegava que o decreto da prefeitura feria a liberdade de locomoção individual.

Ações em outras cidades

A exigência do comprovante de vacinação, defendida pela Fiocruz, causou polêmica em outros municípios do estado. Anteontem, o STF também restabeleceu o “passaporte” em Maricá, que tinha sido suspenso no dia 22 pelo mesmo desembargador que anulou a medida no Rio, Paulo Rangel.

A determinação, porém, ainda não voltou a valer em Macaé, onde foi suspensa na quinta-feira pela desembargadora Marília Castro Neves. No Rio, a magistrada foi responsável por anular a exigência do “passaporte” nos clubes Naval e Militar, decisão que também foi derrubada por Fux. O TJ ainda analisa um pedido de liminar contra a medida em Campos dos Goytacazes, cujo relator também é o desembargador Paulo Rangel.


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