flávio
Beto Barata/Agência Senado
O Ministério Público Federal enviou nesta terça-feira uma representação ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que ele decida sobre as providências que devem ser tomadas

O Ministério Público Federal enviou nesta terça-feira uma representação ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que ele decida sobre as providências que devem ser tomadas em relação à  ausência do senador Flávio Bolsonaro na acareação com o empresário Paulo Marinho, marcada para esta segunda-feira.

O MPF afirmou que o não comparecimento foi injustificado e que configuraria crime de desobediência.

Na segunda-feira, a defesa do senador informou que Flávio estava no Amazonas em agenda oficial e que entrou com uma petição para marcar a acareação para o dia cinco de outubro, em seu gabinete em Brasília.

O MPF marcou a acareação porque considera que um dos dois mentiu em depoimento sobre o suposto vazamento da operação, que atingiu o ex-assessor Fabrício Queiroz.

A investigação foi iniciada após entrevista de Paulo Marinho ao jornal Folha de S.Paulo, quando o empresário e ex-aliado da família Bolsonaro contou que Flávio disse que foi avisado da operação por um delegado da PF e que a ação a foi adiada para que não ocorresse durante o segundo turno da eleição presidencial e atrapalhasse a campanha do então candidato Jair Bolsonaro.

Em nota nesta segunda-feira, os advogados do senador afirmaram que a possibilidade da ausência foi "levantada há cerca de um mês, por escrito, diretamente ao MPF, que não quis alterar a data apesar de expressa disposição legal", completando:

"Quanto à tese de crime de desobediência insinuada pela Procuradoria, é lamentável sob vários aspectos. Nem o Procurador da República poderia dar ordem ao Senador e nem essa “ordem” seria legal, pelo que constituiria uma impropriedade técnica com poucos precedentes na história do Judiciário Fluminense".

Marinho prestou depoimento no dia 21 de maio, após denunciar o vazamento. Segundo o empresário, o vazamento da operação teria provocado, em outubro de 2018, a exoneração de Queiroz do gabinete de Flávio e a filha dele, que era lotada no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Ainda de acordo com Paulo Marinho, foi o próprio senador que o procurou para contar sobre o episódio do vazamento depois que o caso veio à tona em dezembro de 2018. Na ocasião, ele estava acompanhado de Victor Granado Alves, então assessor de Flávio.

O advogado — junto com a ex-assessor Valdenice Meliga e atual chefe de gabinete de Flávio Miguel Angelo Braga, também teria se encontrado com o delegado da PF que passou as informações da operação, segundo o empresário.

Em depoimento ao Ministério Público do Rio, o senador Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer vazamento de informações da operação policial.

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