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RIO - Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o terceiro município mais populoso do estado e o 18º do Brasil, tem vivido dias de penúria por conta da pandemia do novo coronavírus. Uma das últimas cidades a determinar medidas duras na tentativa de mitigar a propagação da Sars-Cov-2, Caxias vê a cada dia o número de pessoas infectadas e de óbitos na cidade aumentar. Segundo município do estado em números de mortes por Covid-19, até ontem, em um balanço da Secretaria estadual de Saúde, Caxias já registra 484 pacientes infectados e 84 óbitos.

Tentando evitar que esse número cresça cada vez mais, a Prefeitura da cidade inaugurou na manhã desta segunda-feira um hospital exclusivo no tratamento do novo vírus. Enquanto o poder público tentar impedir a disseminação da doença, a população segue nas ruas desobedecendo o pedido de isolamento social.

Com capacidade para 128 leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI), o Hospital municipal São José – unidade de porta fechada – atenderá apenas pacientes testados e diagnosticados com a doença e que estão na fila da Central de Regulação de Vagas. Poucas horas após sua inauguração, mais 13 pacientes em estado grave deram entrada no local em ambulâncias que vinham de outras unidade de saúde.

Antes da abertura dos leitos, o prefeito Washington Reis (MDB-RJ) faria uma videoconferência com o governador Wilson Witzel (PSC-RJ) e com o secretário de saúde Edmar Santos. O objetivo era apresentar as dependências do novo hospital para o chefe do executivo. No entanto, o encontro virtual foi cancelado duas horas após o horário programado para a abertura da unidade de saúde. A Prefeitura de Duque de Caxias garante que a videoconferência acontecerá futuramente. Witzel estava em outro compromisso, por isso não participou.

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Atualmente, Caxias conta com algumas unidades de referência que tratam de pessoas com a doença ou com suspeitas de estarem com a Covid-19. Hoje, a cidade conta com mais de 200 respiradores e comprou, segundo a Secretaria de Saúde municipal, outros 250 aparelhos que serão utilizados na rede.

Por falta de pessoal, a Secretaria municipal de Saúde tenta, desde a semana passada, contratar 50 profissionais para atuarem como enfermeiros, clínicos gerais, médicos intensivistas, pneumologistas, infectologistas e fisioterapeutas especializados em unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No entanto, as vagas não foram preenchidas completamente.

Além disso, no último dia 22, o prefeito baixou um decreto que torna obrigatório o uso de máscaras nas ruas da cidade e dentro dos comércios. Caso descumpra, o cidadão poderá pagar uma multa de R$ 786,83.

Uma equipe do GLOBO percorreu, na manhã desta segunda-feira, várias ruas de Caxias. Foi possível observar que a população não está respeitando o pedido para que fiquem em casa e muito menos a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de não se aproximarem umas das outras. O maior número de pessoas foi notado na Praça do Relógio (no calçadão da cidade) e em torno da estação de trem da Supervia.

Prefeitos da Baixada não foram contundentes no combate a doença, diz Witzel

Na última semana, durante uma entrevista ao site de notícias “O Antagonista”, Witzel chegou a criticar os prefeitos da Baixada Fluminense que demoraram a adotar restrições rígidas em seus municípios – como foi o caso de Duque de Caxias. Segundo o governador, “os prefeitos não foram contundentes e o resultado está sendo o aumento da contaminação na Baixada”.

– Desde o começo, procuramos conscientizar a população da importância de ficar em casa. A capital (aos poucos) foi se adaptando a essa realidade. Na Baixada Fluminense, algumas cidades demoraram um pouco mais. Os próprios prefeitos não foram contundentes e, agora, o resultado está sendo um aumento da contaminação na região da Baixada, que é muito preocupante – destacou o chefe do poder executivo.

Sem citar nomes de prefeitos de cidades como Duque de Caxias, Belford Roxo, Seropédica, Mesquita e Japeri, Witzel afirmou que “só agora a população das cidades da Baixada e os prefeitos estão à complexidade do problema e estão colaborando mais”.

Prefeitos da Baixada infectados com o novo vírus

Um dos que não se importou com a gravidade e ignorou a pandemia foi o prefeito de Duque de Caxias, que, antes de ser testado positivo para o novo vírus, chegou a gravar um vídeo e postar nas redes sociais dizendo que manteria as igrejas abertas na cidade porque “a cura virá de lá, né?”. Até o último momento o emedebista relutou em determinar o fechamento do comércio na cidade.

Ainda em publicações em redes sociais, o prefeito disse que “Duque de Caxias tem uma proteção de Deus para que escape dessa epidemia que vem ceifando milhares de vidas pelo mundo”.

Enquanto no estado Witzel determinou o fechamento dos estabelecimentos e outras medidas para a prevenção do vírus no dia 17 de março, o chefe do executivo municipal de Caxias só fez o mesmo no dia 3 de abril, depois que já havia sido confirmada a primeira morte na cidade.

Dez dias após a primeira morte por Sars-Cov-2 no município, Reis foi internado em estado grave em um hospital da Zona Sul do Rio com a doeça. O prefeito chegou a ser entubado e necessitou de respiração artificial. Após 13 dias internado, o político recebeu alta médica.

Assim como o prefeito de Duque de Caxias, seu colega de cidade vizinha, o chefe do executivo municipal de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (MDB), também testou positivo para o novo coronavírus. O filho de 15 anos de Waguinho também contraiu a doença, mas eles não foram hospitalizados.

Em Belford Roxo, as medidas para promover isolamento social só começaram no dia 23 de março, quando agentes das Secretarias de Segurança Pública e Mobilidade Pública e de Ordem Pública e Defesa Civil percorreram ruas da cidade orientado os comerciantes a fecharem seus estabelecimentos. Em decreto (nº 4.863), a Prefeitura determinou a interrupção de algumas atividades comerciais até o próximo dia 6 de abril. Já o funcionamento de escolas permanece suspenso até o dia 20 de abril.

Segundo o último balanço divulgado pela Secretaria estadual de Saúde, no final da tarde desse domingo, Belford Roxo aparece no nono lugar entre as cidades com mais infectados no estado. De acordo com os dados, são 193 pacientes. Até agora, o município já registrou 15 óbitos em decorrência do coronavírus.

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