"Isso é festa de rap, amigo", crava Marcelo D2 em show Rock in Rio

Rapper revisitou carreira, encheu setlist de hits, mas ponto alto da apresentação foram imitações de clássicos do rock com a boca

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O primeiro show do palco Mundo nesta sexta-feira pouco combina com o restante de uma escalação que inclui Ivete Sangalo e Shakira. Mas, de qualquer forma, Marcelo D2 colocou o Rock in Rio para pular e cantar.

Revisando sua carreira, com novas versões de velhos sucessos do Planet Hemp, como “Mantenha o Respeito”, e faixas de sua carreira solo, como “À Procura da Batida Perfeita”, o rapper não deixou a bola cair em uma hora cronometrada de apresentação, que contou até com a participação de seu filho, Stephan. O ponto alto foi o “solo” de Fernandinho Beat Box: na boca, misturou clássicos do rock com batida hip-hop.

D2 entrou no palco fazendo versos da sua vida. “Nasci no subúrbio, cresci na Lapa, conheci o Skunk (ex-vocalista do Planet Hemp que morreu antes do lançamento do primeiro disco), fundei o Planet Hemp, defendi a legalização da maconha e hoje estou no palco Mundo do Rock in Rio”, disse o rapper. E emendou o bordão que seria ouvido inúmeras vezes durante o show: “Vamos fazer barulho!”.

Na entrada pesada de “Vai vendo”, seguida da levada mais amena de “A Maldição do Samba”, a plateia não parou de cantar.

Além dos hits, o encaixe de samples com vozes de outros artistas, como Seu Jorge e Bezerra da Silva, fez sucesso com os fãs. O telão exibia referências a George Clinton, Jimi Hendrix e Jorge Ben Jor, e a entrada do refrão de “Desabafo” provocou um coro de abafar as caixas de som. “Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar” foi o trecho cantado por 10 entre 10 dos presentes.

Em “1967”, outro momento de êxtase, por motivo óbvio. D2 declarou seu amor ao Flamengo e exibiu na tela imagens da torcida, enquanto desafiava: “Quero ver se tu é homem, mané. Do jeito que eu fui e que eu sou”.

Mas não foi apenas o carisma do rapper que garantiu a consistência da apresentação. O DJ da banda deu aula de scratch, misturando batidas de forma impressionante. “Isso é festa de rap, amigo”, dizia D2, que na sequência emendou “Profissão MC”, chamando seu filho Stephan ao palco. O garoto arrancou gritinhos das adolescentes no festival.

O momento mais empolgante do show, contudo, foi quando Fernandinho Beat Box, “o incrível, o extraordinário”, como anunciou D2, começou a imitar na voz clássicos do rock. Começou com “Smoke on the Water”, do Deep Purple, seguido de “Seven Nation Army”, do White Stripes, “Sunday Bloody Sunday”, do U2, “Billy Jean”, de Michael Jackson, e “We Will Rock You”, do Queen. O povo acompanhou tudo na palma da mão e ovacionou o sujeito ao fim da apresentação, com todo o mérito.

O fim, contudo, não poderia ser mais previsível. D2, que seguiu à risca o setlist programado, encerrou a apresentação com uma base leve de hip-hop e mais uma vez a frase: “Vamos fazer barulho!”. O público até fez, mas o rapper em seguida foi embora, e teve gente se perguntando: “Não ia cantar mais uma?”. Pois é.

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