Líderes ocidentais celebram 'fim da tirania' com morte de Kadafi

Premiê britânico, David Cameron, afirmou que dia serve para mundo lembrar vítimas do líder líbio deposto

iG São Paulo |

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou que está orgulhoso do papel que seu país desempenhou na derrubada do regime de Muamar Kadafi , cuja morte foi anunciada nesta quinta-feira.

"Eu acho que hoje é um dia para nos lembrarmos de todas as vítimas de Muamar Kadafi, daqueles que morreram no voo da Pan-Am em Lockerbie e, obviamente, todas as vítimas do terrorismo do IRA (Exército Republicano Irlandês), que morreram por meio do uso dos explosivos Semtex da Líbia", afirmou, em referência ao ataque terrorista ao voo 103 da Pan-Am em 21 de dezembro de 1988.

AP
Premiê britânico, David Cameron, fez um discurso em Downing Street, Londres, sobre a morte de Muamar Kadafi na Líbia

O avião, que saiu do Aeroporto de Heathrow, em Londres, com destino a Nova York, explodiu no ar na cidade escocesa de Lockerbie, deixando 270 mortos. O único condenado pelo atentado, o ex-membro da inteligência líbia Abdel Baset al-Megrahi, foi libertado de uma prisão escocesa em 2009 devido ao seu frágil estado de saúde. Ele ainda está vivo e na Líbia.

Cameron foi um dos líderes ocidentais que visitaram a capital da Líbia , Trípoli, depois que ela foi tomada pelos então rebeldes, que hoje formam o governo interino do país, o Conselho Nacional de Transição (CNT). Na ocasião, ele prometeu ajuda à nova Líbia ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

O presidente francês afirmou que agora era o momento para a "reconciliação na unidade e liberdade", segundo informou a agência Reuters.  Ele afirmou que os eventos anunciados nesta quinta representam o começo do processo democrático na Líbia. "A libertação de Sirte é um sinal do início do processo acordado pelo CNT para estabelecer um sistema democrático no qual todos os grupos do país tenham seu lugar e onde as liberdades fundamentais sejam garantidas."

Barack Obama, em seu pronunciamento, disse que a morte de Kadafi representava o fim de um doloroso capítulo da Líbia . "O regime de Kadafi chegou ao fim", disse, afirmando que "hoje é um dia importante na história" do país.

Ele também afirmou que os líbios têm a grande responsabilidade de construir um país tolerante e democrático. "Vocês venceram sua revolução", disse diretamente à população do país do norte da África.

Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos EUA, também citou o ataque da Pan-Am, no qual muitos americanos foram mortos, ao falar sobre a morte do líder líbio deposto. "Esse foi um tirano que foi morto por seu próprio povo, e, é claro, é responsável por vidas americanas perdidas no ataque de Lockerbie. E eu acho que o mundo reconhece que o mundo é um lugar melhor sem Kadafi."

Quem também se pronunciou quanto à morte do líder líbio foi o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, que saudou o "fim de 42 anos de tirania" na Líbia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o mundo deveria reconhecer que "esse é apenas o fim do começo", acrescentando que "agora é a hora para todos os líbios se unirem". Ban ressaltou que "esse é o momento para a cura e a reconstrução" e "não para a vingança".

A presidenta brasileira Dilma Rousseff , que está na Angola, último país de seu giro pela África , disse que o mundo deve apoiar e incentivar o processo de transição democrática no país, mas ressaltou que uma morte não deve ser "comemorada". "A Líbia está passando por um processo de transformação democrática. Agora isso não significa que a gente comemore a morte de qualquer líder que seja."

Um comunicado também mais cauteloso foi feito pelo enviado russo à Líbia, Mikhail Margelov, que alertou que a morte de Kadafi não representa o fim dos combates na Líbia. "O problema da Líbia hoje não é se Kadafi está vivo ou morto", disse, segundo a agência de notícias ITAR-Tass. "O problema é consolidar a fragmentada sociedade da Líbia e fortalecer seu Exército."

A chanceler alemã, Angela Merkel, assinalou que com a morte de Kadafi a oportunidade de um novo começo para o país árabe. "A data representa o ponto final do regime de Kadafi, um dia importante para os líbios. Com ele acaba uma guerra sangrenta que Kadafi lançou contra seu próprio povo. O caminho fica definitivamente livre para um novo começo político e em paz. A Alemanha se sente aliviada e muito contente", declarou.

Merkel salientou que a Líbia deve empreender agora com rapidez e a passos decididos rumo à democracia e transformar em "irreversível" as conquistas da Primavera Árabe. "A Alemanha acompanhará e apoiará à Líbia no caminho do estado de direito e da reconciliação nacional", escreveu em seu comunicado.

O senador americano e ex-candidato à presidência em 2008, John McCain afirmou nesta quinta que a morte de Kadafi marcou o fim do que chamou de "primeira fase" da revolução na Líbia e pediu pelo estreitamento dos laços entre Washington e Trípoli. "A morte de Muamar Kadafi marca o fim da primeira fase da revolução líbia. Enquanto algumas batalhas finais continuam, o povo líbio libertou seu país", disse em um comunicado o legislador republicano pelo Arizona.

"Agora o povo líbio pode concentrar todo o seu imenso talento no fortalecimento de sua unidade nacional, na reconstrução de seu país e sua economia, em continuar com sua transição para a democracia, protegendo a dignidade e os direitos humanos de todos os líbios", afirmou McCain acrescentando que os EUA e seus aliados europeus e árabes devem "aprofundar o apoio ao povo líbio"

O número dois do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, disse que estava rezando pela "paz no país e pela democracia". "Nós temos que trabalhar pelo povo líbio e todos tem que cooperar com a reconstrução."

A morte de Kadafi, que estava foragido desde agosto, quando a capital do país foi controlada pelos então rebeldes, foi anunciada nesta quinta pelo premiê do CNT, Mahmoud Jibril. "Esperávamos por esse momento há muito tempo. Muamar Kadafi foi morto", disse Jibril durante uma coletiva na capital do país, Trípoli.


Mais tarde, Jibril leu um relatório forense que afirmava que Kadafi morreu com um ferimento de bala na cabeça , enquanto estava a caminho do hospital. "Kadafi foi retirado de um duto de esgoto... ele não mostrou nenhuma resistência. Quando começaram a tirá-lo do local, ele foi atingido em seu braço direito e ao colocarem-no na caminhonete, ele não apresentava nenhum outro ferimento", afirmou Jibril, que lia um relatório forense. "Quando o carro começou a andar, houve um tiroteio entre os combatentes e os partidários de Kadafi, durante o qual, ele foi atingido na cabeça."

Kadafi é o primeiro líder morto na Primavera Árabe , onda de movimentos populares que ocorrem no Oriente Médio e no norte da África desde dezembro para exigir o fim de governos autocráticos e mais democracia. Kadafi foi um dos líder mais longevos do mundo, dominando o país por meio de um regime comandado por seus caprichos e atraindo condenação internacional e isolamento durante anos.

Disparos de celebração e gritos de "Deus é Grande" foram ouvidos na capital do país, Trípoli, por causa das informações. Líbios buzinaram seu parar, enquanto outros se abraçaram em comemoração. Também há celebrações em Sirte.

Com informações da BBC, AFP, Reuters e AP

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