Desertores atacam comboio militar na Síria, dizem ativistas

Segundo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, oito soldados foram mortos em retaliação a um ataque das tropas contra civis

iG São Paulo |

Os desertores do Exército da Síria, que deixaram a coorporação militar para se rebelar contra o governo de Bashar al-Assad, abriram fogo contra um comboio militar em uma cidade no centro do país nesta quarta-feira, em retaliação a um ataque a civis, segundo ativistas.

Leia também: ONU denuncia mais de 5 mil mortes em revolta na Síria

AP
Imagem de vídeo amador mostra carros pegando fogo após ter sido atacado pelas tropas de Assad

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse que ao menos oito soldados morreram em uma emboscada a quatro veículos em al-Asharna, nos arredores da cidade de Hama. A emboscada veio logo após um ataque do Exército contra um carro próximo de al-Khatab que deixou cinco civis mortos.

De acordo com ativistas, na terça-feira, as tropas abriram fogo contra uma procissão de um funeral nos vilarejos de Maaret Masreen e Kfar Yahmoul após um ataque de desertores no qual sete soldados foram mortos. Os desertores atacaram em retaliação a uma intervenção militar anterior que deixou 11 civis mortos.

A mídia estatal da Síria informou que 17 funerais militares aconteceram na terça-feira para vítimas de "gangues terroristas armadas".

Não ficou claro por que o Exército atacou esse carro que viajava próximo ao vilarejo de al-Khatab, mas o chefe do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdul Rahman, disse que as forças de segurança frequentemente patrulham Hama e seus arredores procurando por manifestantes e desertores.

Horas depois, os desertores abriram fogo contra veículos militares que passavam pelo vilarejo de al-Asharna. Nenhum grupo reivindicou a emboscada, mas o Exército Livre da Síria, organização de rebeldes do Exército regular, já realizou outros ataques semelhantes.

Rahman disse que houve tiroteio em Kirak, ao sul de Deraa, enquanto as tropas procuravam por ativistas. O Comitê de Coordenação Local, grupo ativista que organiza as manifestações, disse que 26 pessoas foram mortas no país nessa quarta-feira, entre elas duas mulheres e uma criança.

Uma autoridade afirmou à AFP que duas pessoas foram feridas quando uma patrulha militar síria entrou no território libanês e abriu fogo no vilarejo de Khirbat Daoud, localizado na fronteira.

A Organização das Nações Unidas disse que mais de 5 mil pessoas foram mortas na repressão de Assad contra protestos que começaram na cidade de Deraa, no sul, em março, inspirados nas revoltas árabes em outros países.

Assad, 46 anos, cuja família da minoria alauíta manteve o poder sobre a maioria muçulmana sunita na Síria por quatro décadas, enfrenta o mais sério desafio a seu governo.

As manifestações começaram com pedidos pacíficos por reforma, mas se transformaram em reivindicações pela saída de Assad. A insurgência armada já foi classificada pela ONU como guerra civil .

O governo sírio diz que mais de 1,1 mil membros do Exército, polícia e serviços de segurança foram mortos. A mídia estatal fornece relatos diários de funerais de militares, de confrontos frequentes com grupos armados e descobertas de explosivos.

Os Estados Unidos e a França, que culpam as forças de Assad pela violência, instaram o Conselho de Segurança da ONU a responder ao crescente número de mortos.

Mas a Síria ainda tem aliados internacionais. Rússia e China bloquearam esforços ocidentais para garantir a condenação de Damasco, e na quarta-feira seu aliado regional mais próximo, o Irã, enviou sinais de apoio.

Segundo divulgou a agência de notícias estatal Sana, o ministro iraniano para o Desenvolvimento Urbano e Estradas, Ali Nikzad, em visita ao país, disse que seu governo ficaria ao lado da Síria "e apoiaria sua economia e sua postura frente à grande conspiração contra ela".

A Sana disse que a visita de Nikzad a Damasco acontece depois da aprovação pelo Parlamento do Irã na terça-feira de um acordo de livre comércio entre os dois países.

Com BBC e Reuters

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