Corpos de jornalistas mortos na Síria chegam a Paris

Pelo terceiro dia consecutivo, a Cruz Vermelha esperava neste domingo para entregar ajuda humanitária na sitiada Homs

iG São Paulo |

O avião que transportava os corpos da repórter americana Marie Colvin e do fotógrafo francês Rémi Ochlik, mortos em 22 de fevereiro em Homs, Síria, pousou neste domingo no aeroporto parisiense Charles de Gaulle. O voo regular Air France 571 que viajou de Damasco a Paris, com escala em Amã, pousou no aeroporto francês às 6h15 (3h15 de Brasília).

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AP
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O corpo de Rémi Ochlik, que morreu aos 28 anos, será sepultado na França. Marie Colvin será repatriada aos Estados Unidos, segundo uma representante do Sunday Times, o jornal britânico para o qual trabalhava.

Os dois morreram no bombardeio de um imóvel transformado em centro de prensa no bairro de Baba Amr, reduto da rebelião na cidade síria de Homs. Na sexta-feira, a jornalista francesa Edith Bouvier , ferida no ataque que matou Marie e Ochlik, conseguiu deixar a Síria juntamente com o repórter William Daniels. Edith contou sua fuga da cidade de Homs ao diário francês Le Figaro, para o qual estava trabalhando na Síria.

Homs sitiada

Pelo terceiro dia consecutivo, a Cruz Vermelha esperava neste domingo para entregar uma vital quantidade de produtos de ajuda humanitária na cidade de Homs. As tropas sírias estão impedindo seu acesso três dias depois de os rebeldes terem sido expulsos de seu reduto

"Temos luz verde (do governo), esperamos entrar, esperamos que hoje seja o dia", afirmou o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Damasco, Saleh Dabbakeh, que não deu mais detalhes sobre as negociações com as autoridades sírias. "Estamos muito preocupados com as pessoas em Baba Amr", afirmou, referindo-se ao isolado bairro de Homs.

Depois de um mês de bombardeios pelas forças do presidente Bashar al-Assad, aumentaram as preocupações com os civis feridos, famintos e que sofrem com o frio em Homs. Ativistas da oposição afirmaram que os membros do programa de ajuda humanitária são proibidos de entrar para que não vejam os "massacres" do Exército sírio.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou na sexta-feira que recebeu "relatos terríveis" de que as tropas estão executando e torturando pessoas na cidade. Ao sul de Homs, a fronteira com a cidade de Qusair foi bombardeada pelas forças do governo, que forçaram residentes a fugir a pé para o Líbano, disse uma testemunha.

"As pessoas afirmaram que estavam em casa quando, de repente, o bombardeio começou e tiveram de fugir. Elas afirmaram que havia tanques e disparos de armas de fogo", disse o repórter da Reuters Afif Diab.

Ataque a Rastan

Além do cerco a Baba Amr, o Exército sírio bombardeou neste domingo a cidade de Rastan, centro do país, para tentar desalojar os combatentes rebeldes. "Desde a madrugada, as posições de grupos de desertores no norte da cidade de Rastan sofrem violentos bombardeios", declarou à AFP Rami Abdel Rhamane, presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

AFP
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Situada no caminho da estrada que liga a capital Damasco ao norte do país, Rastan, a 20 km de Homs, havia sido declarada "cidade livre" pelo Exército Sírio Livre (ESL) em 5 de fevereiro. Muitos militantes temem que o Exército concentre agora a ofensiva em Rastan e na cidade de Quseir (a 15 km de Homs), controlada em grande parte pelos rebeldes.

"São as duas cidades com a maior concentração de rebeldes no centro da Síria e devem tornar-se a próxima etapa do ataque do regime contra os desertores", afirmou Abdel Rhamane.

*Com Reuters e AFP

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