Com poderes presidenciais, novo premiê do Egito toma posse

Kamal al Ganzuri anuncia maioria do gabinete e nomeia para o sensível cargo de ministro do Interior o ex-chefe da polícia do Cairo

iG São Paulo |

O novo primeiro-ministro do Egito, Kamal al Ganzuri, nomeado pela junta militar, tomou posse oficialmente nesta quarta-feira. Ele também nomeou a maior parte de seu novo gabinete, e escolheu para o sensível cargo de ministro do Interior o ex-chefe da polícia do Cairo, Mohammed Ibrahim Yusuf.

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AP
Kamal Ganzouri, novo premiê egípcio, concede entrevista a jornalistas no Cairo (25/11)
Ganzuri, escolhido pelos militares que governam o Egito desde a queda de Hosni Mubarak, substituiu Eram Sharaf após o povo ter voltado a protestar nas ruas contra os controle excessivo do Conselho das Forças Armadas e a demora para a transferência em direção a um governo civil.

Para atender as reivindicações, a junta militar deu a Ganzuri poderes presidenciais, apesar de manter o controle sobre as questões militares e sobre o Judiciário.

O novo premiê anunciou sua administração depois de quase duas semanas de atrasos causados, segundo ele, por problemas em encontrar um candidato para o posto de ministro do Interior.

Ele finalmente optou por Mohammed Ibrahim Yusuf, chefe da polícia no distrito de Gizé, no Cairo, que fez o juramento diante do chefe do conselho militar no poder, o marechal de campo Hussein Tantawi, segundo a televisão estatal.

A polícia foi acusada de lidar brutalmente com os recentes protestos contra Tantawi , que deixaram mais de 40 mortos, além de não combater adequadamente os crimes, que têm crescido amplamente desde a saída do ex-ditador Hosni Mubarak em fevereiro.

O ministro das Relações Exteriores, Mohammed Kamel Amr, foi o único mantido do antigo gabinete que renunciou em novembro, enquanto Mumtaz Said foi nomeado Ministro das Finanças.

Ganzuri, em entrevista concedida na terça-feira a noite, pediu a todos os partidos políticos para trabalharem juntos com a sua administração, anunciado como um "governo de salvação nacional".

"Não podemos deixar a segurança e a economia como estão", disse. "Eu peço que todos os movimentos políticos, todos os partidos e cada indivíduo se unam para o bem do país."

A economia sofre desde o início do ano com a queda do turismo e dos investimentos estrangeiros. Um membro do Conselho Supremo das Forças Armadas alertou, na semana passada, que as reservas em moeda estrangeira do Egito estavam caindo bruscamente e que devem ser suficientes apenas para cobrir as importações até o fim de fevereiro.

Eleições

O turno de abertura das primeiras eleições desde a queda de Mubarak terminou na terça-feira, com uma vitória dos partidos islâmicos sobre seus rivais liberais.

A Irmandade Muçulmana, banida durante décadas por Mubarak, afirmou nesta quarta-feira que consolidou seu avanço no segundo turno das eleições legislativas, aumentando o abismo entre os fundamentalistas salafistas.

Os resultados oficiais dessa primeira fase de votação, que acontece em nove províncias das 27 existentes, entre elas as duas principais cidades do Egito, Cairo e Alexandria, ainda não foram divulgados.

As outras províncias votarão do dia 14 de dezembro até 11 de fevereiro, em seguida acontecerá a eleição da Ashura - Câmara Alta consultiva -, do fim de janeiro até meados de março.

O conjunto de formações islamitas, incluindo os salafistas, obteve oficialmente 60% dos votos no primeiro turno , esmagando as formações liberais e laicas. A imprensa ressaltou que o segundo turno permitiu à Irmandade Muçulmana se distanciar dos salafistas, que foram a grande surpresa do primeiro turno.

O guia da irmandade, Mohamed Badei, quis assegurar a vitória ao afirmar que seu movimento "não deseja o monopólio do poder", mas privilegiará a "participação".

AP
Caixas de cédulas são vistas dentro de ônibus antes de serem apuradas no Cairo (06/12)
Constituição

O futuro Parlamento deverá formar uma comissão para redigir a nova Constituição, uma etapa decisiva da transição política deste país, um dos pioneiros da Primavera Árabe .

As Forças Armadas, no poder desde a saída de Mubarack, prometeram devolver o poder aos civis após uma eleição presidencial prevista para acontecer antes do fim de junho de 2012.

Apesar das garantias do Exército de que vai transferir todo o controle para os novos líderes civis, o Parlamento eleito e o novo presidente devem enfrentar uma batalha feroz pelo poder.

A junta militar já indicou que quer manter muitos dos privilégios da era Mubarak, incluindo fiscalizar a legislação relacionada ao Exército e indicar nomes para escrever a nova constituição.

A perspectiva de um Parlamento dominado pelos islamitas também suscitou temores em meio aos liberais sobre as liberdades civis, o direito das mulheres e a liberdade religiosa em um país com a minoria cristã mais ampla do Oriente Médio.

A Irmandade Muçulmana enfatizou durante a campanha que os valores islâmicos eram compatíveis com a democracia e que era a favor das liberdades individuais e que trabalharia com outros partidos políticos não-islamitas.

Mas o Al Nour, um grupo salafista que surgiu como uma poderosa nova influência e deve obter um bom desempenho nos turnos remanescentes da votação, defende uma interpretação fundamentalista do islã dominante na Arábia Saudita.

Com EFE e AFP

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