Congressistas suspiram aliviados por adiamento de votação e aguardam respostas sobre saída diplomática

NYT

Membros dos dois lados do Capitólio suspiraram aliviados enquanto voltavam ao trabalho na manhã desta quarta-feira (11) depois que o presidente Barack Obama colocou a ação militar na Síria em espera , adiando um confronto político que ninguém em Washington quer ter.

Mas mesmo que o presidente tenha ganhado elogios por estar disposto a buscar uma resposta diplomática na Síria , foi o que ele não falou durante os 16 minutos de seu pronunciamento da Casa Branca na noite de terça-feira que poderá moldar uma reação mais ampla ao seu discurso nos próximos dias.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento à nação direto da Casa Branca, em Washington (10/9/2013)
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento à nação direto da Casa Branca, em Washington (10/9/2013)

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O presidente não falou quanto tempo ele aguardaria para ver se o presidente da Síria, Bashar al-Assad , vai entregar ao controle internacional suas armas químicas, que segundo seu governo foram usadas pelas tropas do regime contra os próprios sírios.

Obama não detalhou o que os EUA exigiriam da Síria como prova de que os esforços diplomáticos eram mais do que uma tática de ganhar tempo para evitar um ataque punitivo dos EUA.

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E o presidente não usou seu discurso para descrever suas expectativas sobre o papel das Nações Unidas, cujas tentativas foram frustradas por vetos da China e da Rússia nos últimos dois anos e meio de guerra civil na Síria.

"Uma resolução diplomática é sempre preferível a uma ação militar, mas no que essa resolução implicaria, e quem vai intermediá-la?", questionou o senador republicano Orrin Hatch em comunicado após o discurso.

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O senador republicano Patrick Toomey disse que "a apresentação do presidente hoje deixa muitas questões sem respostas. Eu continuarei a buscar por mais respostas antes de decidir se apoio uma intervenção militar na Síria".

A intensa atividade diplomática na segunda-feira e terça radicalmente alteraram a trajetória dos esforços da Casa Branca em buscar uma autorização para o uso da força militar na Síria , e Obama pode ainda não saber essas respostas. Um discurso originalmente programado para ser um apelo para a ação militar se tornou um pedido por mais tempo.

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O que resta é a incerteza. A reação internacional ao discurso foi silenciosa nesta quarta-feira.

Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha depois de cumprimentar presidente russo, Vladimir Putin, durante chegada à reunião do G20 em São Petersburgo (5/9)
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha depois de cumprimentar presidente russo, Vladimir Putin, durante chegada à reunião do G20 em São Petersburgo (5/9)

A televisão estatal síria não transmitiu o pronunciamento de Obama e a agência de notícias oficial não fez qualquer comentário sobre o discurso. Um comunicado do grupo opositor de exilados sírios que os EUA apoiam, a Coalizão Nacional de Oposição Síria e Forças Revolucionárias disse: "A proposta é uma estratégia política que visa ganhar tempo, o que permite ao regime causar mais mortes e destruição na Síria, e representa uma ameaça aos países e as pessoas da região."

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Em Londres, o porta-voz do premiê britânico David Cameron disse que as discussões estavam encaminhadas nas Nações Unidas entre os EUA, a França e o Reino Unido sobre um projeto de resolução, e o texto depois seria circulado entre a Rússia e a China, outros dois membros permanentes no Conselho de Segurança.

"Há um processo encaminhado", disse. "Será para o governo russo e o regime de Assad demonstrarem sua credibilidade."

Na Alemanha, que na quarta-feira estava se preparando para receber os primeiros 105 dos 5 mil refugiados da Síria, havia claro ceticismo em relação as últimas propostas diplomáticas. A chanceler Angela Merkel, que as caracterizou como um "pequeno vislumbre de esperança" não discutiu a Síria com seu gabinete em seu regular encontro semanal na quarta-feira, de acordo com o porta-voz do governo Steffen Seibert.

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"É importante que a Síria não brinque por tempo", disse Seibert.. "O governo sírio não deve apenas fazer comunicados. Deve agir."

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, vai para a Genebra na quinta-feira para dar início a dois dias de diálogos sobre como implementar a proposta russa para a Síria entregar suas armas químicas ao controle internacional. Mas as esperanças iniciais de uma ação rápida no Conselho de segurança na terça-feira desmoronaram rapidamente , sugerindo que a diplomacia pode fracassar.

E especialistas em armas dentro e fora do governo alertaram na terça-feira que esforços para verificar o cumprimento da Síria com um futuro acordo seria difícil mesmo que sob as melhores circunstâncias - pior ainda se o país está tomado por uma guerra civil.

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Membros do Congresso nos dois partidos disseram que o breve discurso de Obama à nação fez pouco para mudar sua ideia sobre o valor de um ataque. Mas muitos afirmaram que estão satisfeitos que o governo está tentando buscar uma saída diplomática.

"Eu continuo cético de que um ataque limitado dos EUA possa ser efetivo em diminuir a capacidade de Assad de realizar ataques com armas químicas", disse o republicano Mike Thompson. "Eu estou esperançoso por uma solução diplomática."

Por Michael D. Shear

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