Presidente do Egito admite erros antes de grande protesto contra seu governo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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No fim de semana, manifestantes reivindicarão renúncia. Choques em Daqahliya deixam 1 morto e 162 feridos

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, reconheceu nesta quarta-feira que cometeu erros no seu primeiro ano de mandato. A declaração foi feita no mesmo dia em que confrontos entre seus partidários e manifestantes deixaram um morto e 162 feridos na Província de Daqahliya.

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AP
Manifestantes egípcios levantam seus sapatos em sinal de raiva enquanto assistem a discurso de presidente na Praça Tahrir, Cairo

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Em um discurso televisionado antes de uma manifestação programada para o fim de semana por oponentes que reivindicam sua renúncia, Morsi prometeu apresentar reformas "radicais e rápidas" nas instituições do Estado. Ele insistiu que está "certo" sobre algumas questões.

Opositores querem que ele renuncie e convoque eleições antecipadas, acusando-o, assim como a Irmandade Muçulmana, de monopolizar o poder e fracassar em resolver os problemas egípcios.

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Morsi fez seu pronunciamento em uma sala de conferência cheia de membros de seu gabinete e de autoridades graduadas de sua Irmandade Muçulmana e de seu braço político, o Partido da Justiça e da Liberdade, juntamente com várias centenas de partidários. Seu discurso foi interrompido repetidamente por aplausos ou gritos. O chefe do Exército estava entre os presentes, e ele bateu palmas em gesto de educação.

Mais cedo, o Exército afirmou que trazia reforços para perto das principais cidades egípcias. Os movimentos militares expuseram a seriedade da situação, já que grandes manifestações de opositores e partidários de Morsi se aproximam e a violência é possível.

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No domingo, o chefe do Exército alertou que os soldados não ficariam de lado para observar a situação do Egito se transformar em caos. Os dois lados interpretaram essa declaração como apoio às suas posições contrárias. A Irmandade acredita que o Exército interviriria para preservar seu governo, enquanto os opositores estão convencidos de que os soldados os protegeriam dos ataques de militantes islâmicos.

A raiva cresce em relação à péssima situação econômica egípcia, exemplificada por uma grande escassez de combustíveis que forçou muitos no Cairo a esperar horas na fila dos postos de gasolina. Cortes de energia são frequentes, os preços estão aumentando, assim como o desemprego, elevando ainda mais as tensões.

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Depois de mais de uma hora de discurso, Morsi pediu desculpas à sua população pela escassez de combustível. "Me sinto triste pelas filas, e gostaria de ficar nas filas e esperar nelas também", afirmou.

*Com AP

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