França: Testes confirmam uso de sarin na Síria. ONU aponta possível utilização

Por iG São Paulo |

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Sem especificar quando e onde arma química teria sido usada, chanceler diz que amostras da Síria possibilitaram confirmação; ONU afirma haver indicações de uso em quatro ataques

Amostras retiradas da Síria e testadas na França confirmaram que o gás sarin (agente neurológico) foi usado diversas vezes no país árabe, disse o ministro de Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, nesta terça-feira.

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Sírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento na vila de Khan al-Assal, de acordo com agência estatal SANA (19/03)

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Segundo Fabius, testes feitos por um laboratório francês "provam a presença do sarin em amostras sob nossa posse". Ele disse que a França "agora tem certeza de que o gás sarin foi usado na Síria várias vezes de uma forma localizada". Sem especificar onde o quando o agente foi empregado, a breve declaração conclui: "Seria inaceitável que os culpados por esses crimes se beneficiem da impunidade."

Previamente nesta terça, um relatório da ONU sobre a Síria (abrangendo o período de meados de janeiro a meados de maio) afirmou que há "termos razoáveis" para acreditar que quantidades limitadas de químicos tóxicos foram usadas como armas em ao menos quatro ataques na guerra civil síria, mas que mais evidências são necessárias para determinar os exatos agentes químicos usados ou quem os usou.

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"Com a prova disponível, não é possível determinar com precisão os agentes químicos usados, seus sistemas de disseminação ou seus perpetradores", afirmou o relatório, que não descarta o uso pelas forças rebeldes que tentam depor o regime de Bashar al-Assad. "É possível que grupos armados antigoverno tenham acesso e usem armas químicas, apesar de não haver evidência explícita de que esses grupos possuam tais armas ou os requeridos sistemas para usá-las", indicou o documento.

A Comissão de Investigação da Síria apontou que descobertas conclusivas podem ser alcançadas apenas depois que amostras de testes sejam retiradas diretamente das vítimas ou dos locais dos supostos ataques. Ela pediu que Damasco permita que uma equipe de especialistas entre no país, afirmando que a falta de acesso continua a prejudicar a habilidade da comissão em cumprir seu mandato.

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Desde o ano passado, o presidente dos EUA, Barack Obama, declara que o uso de armas químicas pela Síria seria sua "linha vermelha" para uma intervenção dos EUA na Síria. Por causa disso, ele se vê sob intensa pressão para adotar uma ação em meio às crescentes alegações de que o presidente Assad cruzou essa linha. O relatório da ONU pareceu fortalecer o argumento do governo Obama de que a evidência existente é insuficiente.

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O relatório da comissão para o Conselho de Direitos Humanos sobre as violações no conflito sírio acusa ambos os lados de cometer crimes de guerra. Em uma aparente mensagem aos países europeus que consideram armas os rebeldes sírios, o relatório alertou que a transferência de armas aumentaria o risco de violações, acarretando mais mortes e ferimentos de civis.

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Brasileiro Paulo Pinheiro, presidente da Comissão de Investigação sobre Síria, apresenta último relatório para Comissão de Direitos Humanos da ONU em Genebra (03/06)

A comissão afirmou que, para o relatório, contou com relatos em primeira mão para corroborar os incidentes, realizando 430 entrevistas na região e em Genebra, incluindo via Skype e pelo telefone, e com vítimas e testemunhas dentro do país. O grupo também coletou fotos, gravações de vídeo, imagens de satélite e registros médicos. Relatos de fontes do governo e de organizações não governamentais, análises acadêmicas, relatórios da ONU, incluindo de órgãos de direitos humanos e de organizações humanitárias, também fizeram parte da investigação.

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"As testemunhas que foram entrevistadas incluem vítimas, refugiados que escaparam de algumas áreas e equipes médicas", disse o brasileiro Paulo Pinheiro, que chefia a comissão de inquérito da ONU.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou uma equipe para investigar supostos ataques de armas químicas na Síria depois que Damasco lhe pediu que investigasse um suposto ataque de rebeldes em 19 de março na vila de Khan al-Assal, perto de Aleppo, norte do país. Mas o governo sírio insiste que uma investigação se limite a esse incidente.

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Há informações de que soldados sírios foram mortos e feridos nesse incidente, que os rebeldes dizem ter sido uma ação do governo. Ativistas da oposição alegaram que houve mais de seis vezes em que o regime usou armas químicas. Ban insiste em uma investigação mais ampla, que também incluiria um incidente em dezembro em Homs. Ele nomeou o especialista em armas químicas sueco Ake Sellstrom para liderar a investigação da ONU, mas a Síria se recusa a permitir acesso de sua equipe ao país.

Acredita-se que a Síria tenha um dos maiores arsenais de armas químicasd do mundo, incluindo gás mostarda e gás neurológico. O regime de Assad nega que tenha usado esse tipo de armamento durante a guerra civil.

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A confirmação do uso de armas químicas poderia escalar a resposta internacional ao conflito de mais de dois anos de duração, que deixou 70 mil mortos, de acordo com a ONU.

Em abril, o governo dos EUA enviou uma carta a dois senadores se referindo a análises de inteligência concluindo, "com graus de confiança variáveis, que o regime sírio usou armas químicas em pequena escala na Síria, especificamente o agente químico sarin". A correspondência afirmava que as análises não eram uma base suficiente para uma ação porque não estava claro como a exposição aconteceu e sob quais circunstâncias.

Desde então, os governo do Reino Unido, França e Turquia também disseram que havia indicações de uso de armas químicas, mas que mais testes eram necessários.

*Com AP e Reuters

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