Papa diz que envio de armas à Síria é 'pecado grave' e elogia Primavera Árabe

Bento 16 desembarcou nesta manhã em Beirute, no Líbano, e dá início a visita de três dias ao país. 'Grito de liberdade' árabe deve ser acompanhado pela tolerância religiosa

iG São Paulo |

O papa Bento 16 desembarcou em Beirute nesta manhã, com forte esquema de segurança, já pedindo o fim do envio de armas para a Síria. Segundo ele, tal ação é considerada um "pecado grave". O pontífice deu início a uma visita de três dias ao Líbano, país vizinho da Síria, que vive clima de tensão no Oriente Médio. Na tarde desta sexta-feira, ele participou da assinatura de um documento em que bispos de todo o mundo repreendem o uso da religião como base para a violência.

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Falando a repórteres a bordo de seu avião, o papa elogiou as manifestações da Primavera Árabe, que foi descrita por ele como um "grito por liberdade". Porém, segundo ele, todo o processo deve ser acompanhado pela tolerância religiosa.

Reuters
Papa Bento 16 desembarcou nesta manhã de sexta-feira em Beirute, no Líbano


Ao deixar a aeronave, Bento 16 manifestou ainda a importância de preservar o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos no país. "É muito importante o equilíbrio entre cristãos e muçulmanos no Líbado. É preciso preservá-lo, e tem que ser ponderado", disse.

O ponto alto da visita deve ser uma missa campal em frente à orla de Beirute no próximo domingo.

Nesta tarde, ele participou do evento que celebra a assinatura da Exortação Pós-sinodal (documento final) do Sínodo de Bispos para o Oriente Médio, que teve início em 2010 e será finalizado agora. A cerimônia aconteceu na presença do presidente do Líbano, Michel Suleiman, de personalidades políticas e de 450 convidados.

No documento, foram reunidas as propostas aprovadas pelos bispos no sínodo de 2010, nas quais rejeitaram que se recorra à Bíblia para legitimar as "injustiças" e defenderam a criação de um Estado palestino, na linha "dois povos, dois Estados" (Israel e Palestina), entre outros. Além disso, Bento XVI fez um apelo à comunidade internacional e aos países do Oriente Médio para que não retrocedam na busca pela paz na região, uma conquista classificada por ele como "possível e urgente".

Papas no Líbano

Bento 16 é o terceiro papa que viaja ao Líbano - os primeiros foram Paulo VI, em 1964, e João Paulo II, em 1997. A visita de Paulo VI em 2 de dezembro de 1964 foi muito breve, tendo durado apenas 52 minutos para uma escala técnica de seu voo rumo a Mumbai (Índia).

No aeroporto da capital libanesa, o pontífice foi recebido pelo então presidente Charles Helu, que esteve acompanhado de líderes religiosos, membros do governo, deputados e embaixadores. Paulo VI abençoou os libaneses: "Vos deixo meu coração, a garantia da minha afeição por vossa pátria querida", afirmou o então papa, que repetiu três vezes "Viva o Líbano" e ofereceu um cheque de US$ 20 mil para que fosse destinado a obras de caridade para todas as comunidades religiosas, tanto cristãs como muçulmanas.

O segundo papa a viajar ao país árabe foi João Paulo II, que fez uma visita pastoral nos dias 10 e 11 de maio de 1997 para entregar a Exortação Pós-Sinodal "Uma nova esperança para o Líbano", na qual pedia a reconciliação e a abertura de uma nova etapa no cenário local.

*com EFE e Reuters

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