Repasse a Pernambuco teve participação de Dilma, diz ministro

Bezerra diz que repasse de R$ 70 milhões da verba antienchente a seu Estado foi realizado com conhecimento da presidenta

iG São Paulo |

O ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), concedeu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira em Brasília para explicar os repasses de recursos federais para o combate e a prevenção de desastres naturais. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo , Bezerra destinou 90% dos gastos da pasta para prevenir problemas causados pelas chuvas ao seu Estado. Os dados tomam por base em informações do Tesouro Nacional e pela ONG Contas Abertas.

Leia também: Ministro destinou 90% do orçamento de combate a enchentes ao seu Estado, Pernambuco, segundo jornal

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Bezerra explicou que, do total de R$ 98,3 milhões do orçamento da pasta destinado a Pernambuco, R$ 70 milhões foram destinados a obras preventivas, como a proteção de morros, encostas e obras de macrodrenagem. "Essa priorização de R$ 70 milhões ( a Pernambuco ) foi feita pelo Ministério da Integração em discussão técnica com o Ministério do Planejamento e da Casa Civil, com o conhecimento e a participação da presidenta da República ( Dilma Rousseff )", afirmou o ministro.

O ministro ressaltou que considera que Dilma não foi surpreendida pelo noticiário. "Dilma sabia do repasse com relação aos sistemas de barragens e contenção do Rio Una, pois foi tratado por ela e pelo governador ( de Penambuco ) Eduardo Campos (PSB)", disse. Segundo o Poder Online , contudo, a notícia do jornal envolvendo o ministério estragou as férias da presidenta . O próprio ministro antecipou o fim das férias para tratar de assuntos relacionados às fortes chuvas que atingem Estados do País e prestar esclarecimentos sobre as denúncias divulgadas.

Agência Brasil
Ministro da Integração Nacional antecipou o fim das férias para prestar esclarecimentos

Segundo ele, a urgência no repasse a Pernambuco se deu pois o Estado "estava com os projetos prontos porque teve uma das maiores tragédias naturais do País", Em 2010, 41 municípios pernambucanos e 80 mil pessoas foram atingidas pelas fortes chuvas. "Não existe aqui política partidária, política miúda, política pequena. (...) Não se pode discriminar o Estado de Pernambuco por ser o Estado do ministro", disse.

Bezerra negou que sua pasta tenha sido "esvaziada" ou que sinta que seu cargo esteja ameaçado. "Tenho o apoio necessário para levar em frente a missão que a presidenta me confiou", disse. "Quando ele ( o Ministério da Integração ) for esvaziado eu estarei muito longe daqui", afirmou. "Não me chame para cumprir meia tarefa", completou. Ele elogiou o trabalho da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e negou que haja qualquer tipo de estranhamento ou ruído.

Não existe aqui política partidária, política miúda, política pequena. (...) Não se pode discriminar o Estado de Pernambuco por ser o Estado do ministro", diz ministro.

Na coletiva, o ministro afirmou que até agora não conversou com Dilma sobre as denúncias, mas agradeceu o "apoio" da presidenta e o trabalho da imprensa. "A crítica que a imprensa faz é sempre bem-vinda para que a gente possa aperfeiçoar nossos processos internos", disse.

De acordo com Bezerra, o ministério tinha planos de contratar a Fundação Getúlio Vargas para selecionar projetos que receberiam repasses. Isso não foi possível porque "a burocracia é difícil de vencer", segundo ele. No futuro, o ministro prevê que a FGV vá participar na reestruturação da Secretaria Nacional de Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração.

O ministro reforçou o que a pasta já havia divulgado em nota ontem. Segundo ele, outros programas federais deveriam entrar na contabilidade sobre gastos com prevenção de desastres. Entre eles ações de contenção de encostas e macrodrenagem, sob responsabilidade do Ministério das Cidades, além do Programa Minha Casa, Minha Vida, que tem parte de recursos destinados à alocação de famílias de áreas de risco.

Eleições 2012

Sobre uma eventual disputa pela Prefeitura de Recife, capital de seu Estado, Bezerra evitou confirmar sua pré-candidatura pelo PSB. "Quem vai definir isso será o meu partido", afirmou. Em seguida, disse que a prioridade é a aliança com o PT, partido da presidenta Dilma.

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