Ao iG, líder ultradireitista conhecido como Vulto fala sobre violência, PT, PSDB e defende novo partido conservador. Assista

“Dizer que é totalmente contra a violência é meio hipócrita da parte de qualquer um. Sou contra a violência gratuita mas a violência é necessária. Nós não somos pacifistas. Acreditamos na violência como forma de combate”. A frase é do webdesigner Antonio Silva, de 28 anos, morador do Itaim Paulista, bairro de periferia na extrema Zona Leste de São Paulo.

Assista à entrevista com Antonio Silva

Nas ruas, Antonio é mais conhecido como Vulto, ex-integrante do temido grupo skinhead Carecas do Subúrbio, atual líder da Resistência Nacionalista, organização de extrema-direita que nasceu como um grupo de estudos mas teve papel relevante na passeata pró-Jair Bolsonaro, anti-Marcha da Maconha e que teve quatro integrantes envolvidos na briga que resultou na morte do estudante Johni Raoni Falcão Galanciak, de 25 anos, na porta da boate Carioca Club , na madrugada do dia 4 de setembro. Hoje a organização está espalhada por todo o Brasil, com representantes em Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito santo, Ceará e Amazonas.

Além disso, a Resistência Nacionalista tem um trabalho com jovens da periferia que recebem aulas de artes marciais, conceitos morais e têm acesso à biblioteca da organização. Entre livros do prêmio Nobel Günter Grass e do escritor Milan Kundera, se destaca uma biografia de Adolf Hitler. “Este livro aí não é nosso. É do meu irmão, que trabalha com venda de livros”, apressou-se em explicar.

Nascido no interior de Pernambuco, Antonio chegou em São Paulo aos três anos de idade para morar em uma favela. Hoje vive em um sobrado de quatro pisos com a mulher, a mãe e o irmão. O espaço abriga ainda uma academia de artes marciais que serve de sede para a organização. Foi lá, entre facas, sacos de pancada e muitos livros, que ele recebeu a equipe do iG .

A origem nordestina e proletária é a base da argumentação politicamente correta da Resistência Nacionalista. Segundo ele, não há como chamar de facista ou neonazista um grupo que acolhe nordestinos e negros. “Hoje existe uma certa paranoia antifascista. Mas o que é antifascismo para estes grupos? Qualquer um que seja contra eles”, disse. “Nossa ideologia é nacionalista. Também frequentamos grupos de estudo integralistas (versão brasileira do nazifascismo)”.

Apesar disso , Antonio admite ter uma relação de amizade e respeito com grupos skinheads neonazistas que pregam a intolerância contra minorias como gays, imigrantes nordestinos. “Mas com eles nossa disputa é só nas ideias”.

Assista à entrevista com Antonio Silva:

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