Luiza Trajano: do balcão da loja dos tios a ministra do governo

Empresária começou a trabalhar aos 12 anos em "A Cristaleira", loja de Franca (SP) que deu origem ao Magazine Luiza

Patrick Cruz e Marina Gazzoni, iG São Paulo |

Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, a empresária de sucesso que agora assumirá também um posto no governo federal como titular da Secretaria da Micro e Pequena Empresa , está na luta desde a infância. Seu nome é conhecido do grande público desde meados dos anos 90, década em que assumiu o comando das operações do Magazine Luiza , mas sua trajetória começou aos 12 anos, quando ela abriu mão das férias escolares para trabalhar na loja de seus tios.

- Luiza Trajano aceita convite e será 39ª ministra de Dilma
- Orçamento da ministra Luiza é menos de 1% da receita do Magazine

Em 1957, Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato, os tios da nova ministra do governo Dilma Rousseff , compraram “A Cristaleira”, pequena loja de presentes em Franca, no interior de São Paulo. Os parentes foram paulatinamente sendo incorporados ao negócio, e nesse processo, Luiza Helena, que começou como balconista, passou a gerente geral. Duas décadas de expansão depois, a rede, rebatizada como Magazine Luiza, já tinha 30 lojas.

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Luiza Helena Trajano, Magazine Luiza e o hino da rede: "As coisas que a gente faz sob as ordens do coração / São páginas vivas, eternas, que não se apagam jamais..."
Luiza Helena assumiu o comando do grupo em 1991, quando foi necessária a criação de uma holding (termo usado no mundo empresarial para designar a empresa-mãe, abaixo da qual estão diversas operações de um mesmo grupo). A rede tem hoje mais de 600 lojas, 21 mil funcionários, 20 milhões de clientes e fatura R$ 6 bilhões por ano.

A agora ministra tem pouco mais de 1,50 metro de altura, é viúva do empresário Erasmo Fernandes Rodrigues, que atuava no ramo de postos de combustíveis, e tem três filhos. Ela tem um jeito simples de falar de temas complexos, mas a erudição é dispensável – a empresária é formada em Direito e Administração de Empresas.

Em 1992, antes mesmo de a internet chegar ao grande público, ela desenvolveu o conceito de “lojas virtuais”, iniciativa que permitiu a chegada da rede a locais onde ela ainda não tinha presença física – inclusive a São Paulo, o maior centro consumidor do País. As lojas virtuais não tinham produtos em exposição, como ocorre em um ponto de venda convencional, mas computadores conectados a um centro de dados da empresa. A compra era feita por meio dos terminais multimídia, que exibiam imagens dos produtos com grande riqueza de detalhes. A entrega ocorria em até 48 horas.

No prospecto de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), realizada em abril , o Magazine Luiza não detalhou apenas suas entranhas financeiras, o mercado em que atua, o perfil da clientela e o público potencial. Falou também de coisas prosaicas, que contam um pouco da personalidade do grupo – e de sua comandante.

Pátria, hino e reza

Entre numeralhas e pareceres financeiros, estava lá explícito o hábito das reuniões matinais, realizadas por todas as lojas por no máximo 20 minutos diariamente, com a apresentação de resultados obtidos no dia anterior e as metas para a nova jornada. O prospecto falava ainda do Conselho de Colaboradores, “criado em 1994 como uma instância de gestão democrática e participativa”. É no conselho que, por exemplo, há deliberações sobre promoções, admissões e demissões.

E no prospecto os investidores puderam saber mais também sobre o Rito de Comunhão, realizado simultaneamente em todas as unidades da rede toda segunda-feira. É nesses encontros que são compartilhados os resultados da semana anterior e comemorados aniversários dos funcionários. Como nas reuniões matinais e no Conselho de Colaboradores, também o Rito de Comunhão está aberto a cacos de criatividade a serem inseridos pelo organizador da vez, mas segue um roteiro fixo. Quando comungam entre si, os funcionários fazem a “comunhão com a Pátria (e cantam o Hino Nacional), “com o Absoluto” (fazem a oração do Pai Nosso).

E, claro, com o empregador. Na comunhão com a empresa, cantam o Hino do Magazine Luiza: “As coisas que a gente faz sob as ordens do coração / São páginas vivas, eternas, que não se apagam jamais (...) ML quer dizer ‘minha luta’ / e também ‘meu lar’”.

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