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Relatório da operação Cui Bono?, que investiga corrupção na Caixa, atribui a Michel Temer (MDB) tentativa de obstrução da Justiça; presidente não foi indiciado por ter direito a foro privilegiado

Para a Polícia Federal, Temer atuou para comprar silêncio de Eduardo Cunha, preso em Curitiba
Antonio Cruz/Agência Brasil
Para a Polícia Federal, Temer atuou para comprar silêncio de Eduardo Cunha, preso em Curitiba

A Polícia Federal afirma ter indícios o bastante para concluir que Michel Temer (MDB) agiu para tentar comprar o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB) e do doleiro Lúcio Funaro, apontado por investigadores como operador de propinas do MDB.

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A conclusão sobre a suposta tentativa de obstrução da Justiça por parte de Temer consta no relatório final da operação Cui Bono?, que investiga casos de corrupção envolvendo a Caixa Econômica, Cunha e Funaro. O documento foi obtido pelo jornal O Estado de São Paulo .

Entre os indícios apontados pela Polícia Federal está a gravação que por pouco não levou o governo Temer ao fim prematuro em maio de 2017. Em um diálogo com Joesley Batista no palácio do Jaburu, onde vivia o presidente na época, o empresário narrava a Temer a sua atuação junto a juízes para obstruir as investigações que apuravam desvios de sua parte. Joesley secretamente gravava a conversa.

Em certo ponto, ele disserta sobre a “boa relação” que vinha cultivando com Cunha ( MDB ), já preso em Curitiba então. Conforme apontou Joesley em depoimento à Polícia Federal, ele teria pago R$ 5 milhões ao ex-deputado para que ele não o delatasse, mantendo silêncio também sobre supostos ilícitos cometidos por Temer. Após o relato de Joesley à Temer – onde ele não entra em detalhes sobre valores pagos – o presidente diz as hoje famosas palavras: “tem que manter isso aí, viu?”.

No relatório da PF, este e outros indícios são apresentados para embasar a conclusão de que Temer agiu para obstruir a Justiça. Embora seja citado, o presidente, contudo, não foi indiciado, já que ele possui foro privilegiado.

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Em 2017, duas denúncias da Procuradoria Geral da República contra o presidente foram apresentadas ao Congresso. Os deputados votaram contra a aceitação das peças, salvando Temer de responder na Justiça sobre o caso.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Planalto afirmou que “é mentirosa a insinuação de que o presidente Michel Temer incentivou pagamentos ilícitos ao ex-deputado Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro. Isso jamais aconteceu. A gravação do diálogo com Joesley Batista foi deturpada para alcançar objetivo político”.

“Apesar da ausência absoluta de provas, investigadores insistem em retirar do contexto diálogos e frases para tentar incriminar o presidente da República. Perpetuam inquéritos baseados somente em suposições e teses, sem conexão com fatos reais”, conclui a nota da assessoria de Michel Temer .

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