Depoimentos dos executivos da empreiteira chegaram ao STF e cabe ao ministro Edson Fachin decidir se vai homologar ou não as colaborações

Leo Pinheiro, da OAS, disse ter sido orientado por Lula a destruir provas que pudessem incriminar o petista em sua primeira delação
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Leo Pinheiro, da OAS, disse ter sido orientado por Lula a destruir provas que pudessem incriminar o petista em sua primeira delação

Na sexta-feira (15) o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a colaboração premiada de oito empresários da OAS, uma das empresas denunciadas por desvio de dinheiro de contratos da Petrobras para pagar propina a políticos. O extenso documento cita aliados de Michel Temer (PMDB), além dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), conforme revelou o jornal “ O Globo ”.

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O material coletado de executivos da OAS , que compõe as delações da Operação Lava Jato, foi enviado ao STF porque os depoimentos contêm informações sobre crimes supostamente cometidos com políticos com foro privilegiado, como parlamentares e ministros de Estado, além de possibilidade de que membros do Judiciário também estejam envolvidos.

Cabe ao ministro da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, decidir se vai homologar ou não a colaboração. Se for homologado, os documentos são devolvidos à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além de informações impressas, há também gravações de depoimentos, tudo protegido por segredo de Justiça e sem previsão de divulgação.

Léo Pinheiro

O presidente da empreiteira, José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido também como Léo Pinheiro não está entre os colaboradores do acordo premiado. Preso por ordem do juiz Sérgio Moro, seus depoimentos foram prestados ao Ministério Público Federal (MPF) e devem chegar ao STF nos próximos dias.

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Segundo o jornal “ O Globo ”, a delação de Pinheiro deverá ser comprometedora, especialmente para Lula . Há alguns meses, em maio a defesa do executivo apresentou a Moro uma série de documentos que supostamente serviriam de prova de execução de obras de imóveis utilizados pelo ex-presidente: o tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia , localizados em São Paulo.

Histórico

Anteriormente, os funcionários da empresa já haviam feito acusações envolvendo Lula, Dilma e os senadores tucanos Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serroa (PSDB-SP). Durante a campanha da ex-presidente da República, os executivos teriam feito pagamentos sem registros da Justiça Eleitoral para cobrir despesas da agência publicitária Pepper.

Além disso, Oswaldo Borges da Costa Filho, suposto emissário de Aécio, teria recebido propina de Pinheiro, correspondente a 3% do valor das obras da empreiteira para a construção da Cidade Administrativa, executadas em Belo Horizonte. Ex-auxiliares de Serra também teriam recebido dinheiro indevido em seu governo, em São Paulo, por conta de obras do trecho sul do Rodoanel.

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