Evento que reúne partidos de esquerda de 26 países ocorre na Nicarágua; senadora defende "reversão de ajuste neoliberal" promovido por Temer

Encontros do Foro de São Paulo ocorrem até a próxima quarta-feira em Nicarágua
Divulgação/PT
Encontros do Foro de São Paulo ocorrem até a próxima quarta-feira em Nicarágua

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, participou neste domingo (16) da cerimônia de abertura do 23º encontro do Foro de São Paulo, evento que reúne partidos políticos de esquerda de 26 países da América Latina e do Caribe e que ocorre até a quarta-feira (19) na Nicarágua.

Em seu discurso, Gleisi saiu em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado nesta semana  em ação penal da Operação Lava Jato, e expressou apoio ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A solidariedade com a Venezuela e com o ex-presidente brasileiro são justamente as principais bandeiras do encontro do Foro de São Paulo .

A senadora, que também é alvo de ação penal decorrente das investigações da Lava Jato, disse que Lula sofre "perseguição" pelo Poder Judiciário brasileiro e que o petista foi condenado "com base em delações sem fundamento e sem provas".

Para desqualificar o juiz Sérgio Moro , Gleisi mencionou a recente absolvição do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que teve recurso contra uma das sentenças do juiz da Lava Jato aceito na segunda instância  – Vaccari ainda soma outras quatro condenações.

“Estamos frente a ofensiva de judicialização da política em todo o continente, e no Brasil a intenção é destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018, pois sabem que a possibilidade de sua vitória é enorme”, afirmou a senadora.

“E mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país para retomar o desenvolvimento nacional, a política externa altiva e ativa e reverter as consequências do ajuste neoliberal imposto pela quadrilha golpista que se instalou no nosso governo”, completou Gleisi Hoffmann , conforme relatado pela agência de notícias do PT.

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Venezuela e Trump

Recém-empossada na presidência nacional do Partido dos Trabalhadores (posto até então ocupado por Rui Falcão), Gleisi garantiu "apoio e solidariedade" do PT a Nicolás Maduro, presidente da Venezuela que lida com forte oposição no país devido à degradação da economia nacional.

"O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte [que será realizada no dia 30] possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica", disse Gleisi.

Ao traçar um quadro global dos desafios a serem enfrentados pelas lideranças de esquerda, a senadora petista disse que o "protecionismo nacional" é um fenômeno decorrente de crises econômicas mundiais como a de 2008.

"Prova disto, o presidente dos EUA, Donald Trump, elegeu-se no ano passado sustentado por uma plataforma protecionista na economia, xenófoba e reacionária no social e fascista na política. Suas medidas mais recentes na economia e no comércio, a rejeição ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, as medidas anti–imigração, a revisão do acordo de normalização das relações com Cuba e a ingerência direta no conflito sírio são uma prova disso", disse a petista.

O Foro de São Paulo inclui partidos políticos de esquerda de Argentina, Aruba, Barbados, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curaçao, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Trinidade e Tobago, Uruguai e Venezuela.

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