Presidente da Câmara teria recebido propina da OAS para favorecer os interesses da empresa no Congresso; ele critica vazamento de inquérito

Rodrigo Maia (DEM), que preside a Câmara dos Deputados, é acusado de publicar matérias na Casa para favorecer a OAS
Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 5.12.2016
Rodrigo Maia (DEM), que preside a Câmara dos Deputados, é acusado de publicar matérias na Casa para favorecer a OAS

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, afirmou nesta quinta-feira (9) que considera como absurdas e sem relação com a realidade as denúncias de que teria recebido vantagens indevidas da empreiteira OAS para defender os interesses da empresa em projetos na Casa.

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“Ontem à noite fui surpreendido pelo vazamento ilegal de uma investigação feita pela Polícia Federal e seu resultado é absurdo, não tem relação com a realidade. O inquérito trata de tentar gerar um vínculo de uma emenda que eu apresentei em uma MP [Medida Provisória] a uma doação de campanha”, disse o Rodrigo Maia .

Reportagem publicada ontem pelo “Jornal Nacional”, da Rede Globo, informa que as denúncias integram um inquérito da PF (Polícia Federal), que pede ao MPF (Ministério Público Federal) que investigue o presidente da Câmara pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ainda de acordo com a reportagem, a investigação chegou à conclusão de que há “indícios fortes” de que Maia prestou "favores políticos" e defendeu interesses da OAS no Congresso em 2013 e em 2014. O relatório cita uma emenda apresentada por ele a uma medida provisória que definia regras para a aviação regional e que, de acordo com o jornal, beneficiaria a empresa.

A matéria diz ainda que, para a PF, não restam dúvidas da "atuação clara, constante e direta" do deputado na defesa de interesses da OAS. "Com base em toda a prova colhida no decorrer da presente investigação, logrou-se êxito em confirmar integralmente a hipótese inicial aventada, qual seja, a de que o deputado federal Rodrigo Maia efetivamente praticou diversos atos na defesa de interesses da Construtora OAS, durante os anos de 2013 e 2014, tendo, em contrapartida, solicitado doações eleitorais ao presidente da pessoa jurídica, José Aldemário Pinheiro Filho [Léo Pinheiro]", diz trecho do relatório exibido no “Jornal Nacional”.

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A reportagem revela que os investigadores concluíram que, em troca da defesa dos interesses da empreiteira na Câmara, o deputado pediu ao ex-presidente da OAS Leo Pinheiro doações eleitorais no valor de R$ 1 milhão em 2014. O dinheiro foi repassado oficialmente à campanha ao Senado de César Maia, pai do presidente da Câmara. Para a PF , isso foi uma tentativa de esconder a origem da propina.

Presidência da Câmara

Em declaração a imprensa, o presidente da Câmara negou as acusações e disse que não vai usar seu cargo para se defender. “Confio na Justiça e tenho certeza que o Ministério Público, assim como a Justiça, vão reparar essa análise preliminar que é absurda, que não tem relação com a realidade que não diz respeito à minha história, da minha família e que essas questões ficarão no âmbito do meu mandato de deputado, sem nenhuma relação com a presidência da Câmara dos Deputados”, afirmou

Maia afirmou que nunca recebeu vantagem indevida para apreciar matérias na Câmara. “Nem com a OAS, nem com empresa nenhuma", disse. “A emenda que eu apresentei não beneficiava ninguém, apenas gerava uma isonomia, na hipótese de um aeroporto privado ser autorizado em cima de aeroportos concessionados. Isso poderia acontecer no Rio, onde tem aeroporto concessionado, poderia ter acontecido em São Paulo, Natal […] minha emenda garantia isonomia entre o sistema. Não estava beneficiando A, B ou C”, se defendeu Maia.

O deputado negou que a doação de campanha tenha tido relação com sua atuação parlamentar. “Não há nenhuma relação, e nunca teve, do que eu fiz aqui com uma doação eleitoral, que foi feita à candidatura do senador Cesar Maia, inclusive no meu diálogo com o Leo tratava-se de R$ 200 mil e eu disse, eu mostrei que era R$ 1 milhão”, disse.

“Inclusive o senhor Ricardo Pessoa [ex-presidente da UTC] foi ouvido nesse inquérito e disse que a minha emenda não beneficiava ninguém e inclusive ele deu uma doação de R$ 250 mil e disse que a doação que fez não tinha relação com coisa alguma.”

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Rodrigo Maia também criticou o vazamento do inquérito. Segundo deputado o vazamento atingiu a sua honra e da sua família. “A história das pessoas está sendo destruída de forma absurda, sem nenhuma preocupação. Eu disse aqui, quando venci essas eleições [para a presidência da Casa], que eu não era contra nenhum tipo de investigação; eu disse que eu era contra vazamento ilegal. Isso preocupa porque tem motivação. Isso me atinge, atinge minha honra, da minha família e nesse caso específico vou atrás da reparação desse dano”, disse. “Vou responder onde tiver que responder, mas quem fez o vazamento ilegal vai responder também”, acrescentou.


* Com informações da Agência Brasil

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