Procurador-geral da República acusa o quarteto de ter tentado agir com intuito de impedir o avanço nas investigações da Operação Lava Jato

Rodrigo Janot solicitou ao STF a abertura de inquérito contra Renan, Jucá, Sarney e Sérgio Machado, da Transpetro
Marcelo Camargo / Agência Brasil - 11.11.2016
Rodrigo Janot solicitou ao STF a abertura de inquérito contra Renan, Jucá, Sarney e Sérgio Machado, da Transpetro

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requereu nesta segunda-feira (6) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), além do ex-senador José Sarney (PMDB) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

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O quarteto é acusado por Janot de ter cometido o crime de embaraço às investigações da Operação Lava Jato. De acordo com a PGR, as acusações têm como base o acordo de delação premiada de Sérgio Machado, além de levar em conta as gravações telefônicas divulgadas no ano passado, depois que foi retirado o sigilo de conteúdo das colaborações do ex-presidente da Transpetro.

Jucá, em uma das conversas divulgadas, falava com Machado sobre a necessidade da troca de governo para que a “sangria” da Lava Jato fosse estancada. Para isso, diz, seria necessário um “acordo nacional”. Os diálogos teriam ocorrido em março do ano passado, quando Dilma Rousseff (PT) ainda era presidente da República.

No seu pedido ao Supremo , o procurador afirma que os acusados "demonstram a motivação de estancar e impedir, o quanto antes, os avanços da Operação Lava Jato em relação a políticos, especialmente do PMDB, do PSDB e do próprio PT, por meio de acordo com o STF e da aprovação de mudanças legislativas".

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Para o procurador, a meta dos congressistas era aprovar medidas legislativas para conter as investigações da Lava Jato.

"O objetivo era construir uma ampla base de apoio político para conseguir, pelo menos, aprovar três medidas de alteração do ordenamento jurídico em favor da organização criminosa: a proibição de acordos de colaboração premiada com investigados ou réus presos; a proibição de execução provisória da sentença penal condenatória mesmo após rejeição dos recursos defensivos ordinários", acrescentou o procurador-geral.

Saída do governo

Romero Jucá, que havia sido nomeado ministro do Planejamento logo depois que Michel Temer assumiu o governo, em maio do ano passado, foi exonerado do cargo menos de duas semanas depois de tomar posse. Na época, a PGR já havia solicitado o desligamento do então titular da pasta.

Em novembro, mesmo depois da divulgação das conversas e do pedido de prisão apresentado por Janot ao STF, Jucá foi escolhido pelo Planalto para ser líder do governo no Congresso Nacional .


* Com informações da Agência Brasil

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