Escolha do senador, que já foi líder dos governos FHC, Lula e Dilma, foi oficializada por Temer nesta quinta-feira; Jucá deixou pasta do Planejamento após conversa com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado vazar

Jucá deixou a equipe de Temer após dizer que era necessário um
Marcos Oliveira/Agência Senado - 09.11.16
Jucá deixou a equipe de Temer após dizer que era necessário um "pacto nacional" para "estancar a sangria" da Lava Jato

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi oficializado nesta quinta-feira (16) o novo líder do governo no Congresso Nacional. A escolha foi publicada no "Diário Oficial da União" em mensagem assinada pelo presidente Michel Temer. A decisão passa a vigorar a partir da publicação da nomeação do senador no "Diário do Congresso Nacional".

Jucá é o segundo vice-presidente do Senado e, no passado, foi líder na Casa dos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Considerado um dos principais caciques do PMDB, o senador esteve no centro de um dos maiores escândalos do atual governo quando, poucas semanas após Michel Temer assumir a presidência, em maio, viu gravações de conversas suas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado vazarem na imprensa.

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Na gravação publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo", Machado demonstra preocupação com o desenrolar da Operação Lava Jato e Jucá sugere um "pacto nacional" que envolveria até mesmo o próprio STF para "estancar a sangria" provocada pela operação.

O senador e o ex-presidente da Transpetro, que é uma das subsidiárias da Petrobras investigadas na Lava Jato, mencionam na conversa suspeita os nomes do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

O episódio obrigou o senador a deixar o Ministério do Planejamento antes mesmo de completar um mês no cargo, trazendo embaraços ao governo. A conversa de Jucá e Machado também acabou se tornando um dos principais trunfos da defesa da então presidente afastada Dilma Rousseff, que considerava o diálogo uma prova de que o impeachment seria  apenas uma maneira de impedir o avanço da Lava Jato.

Jucá está vivo

Em entrevista na segunda-feira (14) ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, o presidente Michel Temer justificou a nomeação de Jucá para ser o líder do governo no Congresso Nacional alegando que o senador "ainda não teve a morte política e nem civil decretada" e que não haveria problema em assumir a função.

"[Jucá] é senador. Deixou o governo, e não foi demitido. É senador, fez trabalho excepcional. Ainda não teve morte política e nem civil decretada”, defendeu Temer.

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*Com informações da Agência Senado