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Senador licenciado e presidente nacional do PMDB, Jucá é um dos integrantes do governo investigados na força-tarefa da operação; áudios foram obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo

O ministro do Planejamento, Romero Jucá: cargo-chave no governo ameaçado por investigação
Luis Nova/Framephoto/Estadão Conteúdo - 20.5.16
O ministro do Planejamento, Romero Jucá: cargo-chave no governo ameaçado por investigação

Ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer, o senador Romero Jucá aparece em gravações propondo uma forma de impedir o avanço da Operação Lava Jato, força-tarefa que o tem entre os investigados. As informações foram publicadas na edição desta segunda-feira (23) do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com a reportagem, os áudios, entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, são de março passado, semanas antes de a Câmara dos Deputados aprovar a abertura do processo contra Dilma Rousseff. O interlocutor do peemedebista passou a procurar líderes do partido por temer que processos contra ele fossem migrados de Brasília para Curitiba, onde seriam julgados por Sérgio Moro.

"O Janot [Rodrigo Janot, procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho", diz Machado em um dos trechos. Ele acreditava que o envio de seu caso a Curitiba seria uma forma de convencê-lo a fazer delação premiada para incriminar lideranças do PMDB.  "Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu desça? Se eu descer..."

Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro: ele temia ser usado para entregar políticos da sigla
Fábio Motta/Estadão Conteúdo - 07.11.11
Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro: ele temia ser usado para entregar políticos da sigla

Nas gravações, Jucá, um dos principais articuladores do processo de impeachment de Dilma – e o homem responsável por anunciar o rompimento do PMDB com o PT, quase dois meses atrás –, afirma ainda que somente uma mudança no governo federal seria capaz de "estancar a sangria" causada pela Lava Jato no meio político.

"Só o Renan [Calheiros] está contra esta porra [o impeachment]. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra". 

Ainda de acordo com os áudios, Jucá classifica como grave a situação de vários políticos em relação a envolvimentos com ilícitos investigados pela operação e afirma que o primeiro a ser "comido" pela força-tarefa será o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. 

"A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado", diz Machado em um trecho. "Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...", prossegue Jucá. "Caiu [a ficha dos políticos do PSDB] Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador] [...] Todo mundo na bandeja para ser comido."

De acordo com o advogado de defesa de Jucá, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, a conversa entre os dois foi "totalmente republicana". Ele alega que o peemedebista jamais teve a intenção de interferir nas investigações sobre o esquema de corrupção em contratos da Petrobras.

Segundo Kakay, "juridicamente" não há "nenhuma gravidade" no que teor da gravação que foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira. "Em 1h15 de conversa aquilo é o que virou notícia? Isso não nos preocupa em nada", disse.

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