Divulgação das informações foi feita pelo grupo Anonymous Brasil; ministro das Comunicações havia proposto definir um limite na franquia de dados

Ministro afirmou nesta semana que pretendia definir limite na franquia de dados em banda larga fixa no País
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 10.1.2017
Ministro afirmou nesta semana que pretendia definir limite na franquia de dados em banda larga fixa no País

O grupo Anonymous Brasil divulgou nesta sexta-feira (13) uma lista de dados pessoais atribuídos ao ministro Gilberto Kassab, responsável pela pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O ataque foi feito em retaliação às afirmações feitas pelo político no sentido de que o governo iria estabelecer, ainda neste ano, um limite na franquia de dados em banda larga fixa no País.

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O material contém informações como números de telefone, endereço residencial, nome de familiares, CPF, lista de bens e participação do ministro em sociedades empresariais. O grupo de ativistas virtuais ainda dá aos internautas “dicas para zoar o Kassab”, como utilizar os dados dele para abertura de cadastros.

A equipe do iG entrou em contato com todos os números de telefone celular disponibilizados. Alguns deles constavam como inexistentes e, em outros, a ligação foi desligada. A reportagem mandou mensagem para um dos números por meio do aplicativo WhatsApp, mas também não houve retorno, apesar da confirmação de leitura. Não havia foto no perfil.

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A assessoria de imprensa do ministério também foi procurada. Por telefone, informaram não ter conhecimento sobre qualquer vazamento de informações. A reportagem enviou aos assessores a lista de dados, mas a equipe de comunicação da pasta ainda não se manifestou. O grupo Anonymous Brasil diz também ter obtido acesso ao sistema de dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Entenda o caso

Nesta semana, Kassab deu uma entrevista na qual afirmou que, até o fim deste ano, as operadoras de internet iriam estabelecer um limite na franquia de dados em banda larga fixa. O assunto já havia sido debatido – e também gerou polêmica – no ano passado. Em dezembro, a Anatel disponibilizou uma área em seu site  para que usuários e especialistas das áreas de telecomunicações e direitos do consumidor colocassem suas opiniões e sugestões sobre eventuais mudanças.

Na sexta-feira, após a repercussão negativa das declarações de Kassab, a Anatel desmentiu a informação sobre o início da cobrança adicional e afirmou que o político havia se equivocado.

A divulgação dos dados do ministro foi feito pelo grupo de ativistas virtuais mesmo depois do desmentido oficial. “O governo voltou atrás, mas o nosso aviso é permanente. Esse vazamento é uma pequena demonstração do que somos capazes de fazer contra um governo que parece ter perdido o medo do povo. Não tem problema, nós estamos aqui para lembrá-los”, diz texto publicado na página do Anonymous Brasil no Facebook.

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