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De acordo com delação, José Yunes esperava receber dinheiro de desconhecido e foi surpreendido com o lobista no seu escritório em SP

Funaro, Yunes e Temer. Todos estão envolvidos na entrega de pelo menos R$ 1 milhão da Odebrecht
iG São Paulo
Funaro, Yunes e Temer. Todos estão envolvidos na entrega de pelo menos R$ 1 milhão da Odebrecht

O lobista Lúcio Bolonha Funaro foi quem entregou a José Yunes, ex-assessor especial do governo, a quantia de R$ 1 milhão da Odebrecht. A informação foi publicada nesta quinta-feira (22) pelo jornal O Estado de S.Paulo .

Yunes, advogado que é amigo pessoal e foi um dos auxiliares mais próximos do presidente Michel Temer (PMDB), pediu demissão do cargo na quarta-feira da semana passada (14), após ser citado na delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. O advogado foi acusado de ter recebido propina da empreiteira a pedido de Eliseu Padilha, atual chefe da Casa Civil.

Em depoimento para a Lava Jato, Yunes narrou uma reunião feita em 2014, em que Temer teria pedido dinheiro a Marcelo Odebrecht para o PMDB. Dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões foram para a campanha de Paulo Skaf e R$ 4 milhões para Padilha distribuir. De acordo com o jornal, foi Padilha quem pediu que Lúcio Funaro entregasse R$ 1 milhão a Yunes.

O empresário, que esperava receber o dinheiro de um desconhecido, foi surpreendido com o lobista no seu escritório em São Paulo. Os dois não se conheciam pessoalmente, mas Yunes sabia de quem se tratava.

"Doação eleitoral"

Em contrapartida, Padilha afirmou ao jornal, por meio de sua assessoria, que "não pediu" nada a Lúcio Funaro. Temer confirmou ter participado da reunião com Marcelo Odebrecht, mas afirma que pediu "doação eleitoral" da empreiteira ao PMDB. Yunes não comentou o caso.

Funaro está preso desde julho pela Lava Jato sob suspeita de comandar com o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) esquema de arrecadação de propinas de grandes empresas.

Delação de Melo

Em seu depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirma que parte de um pagamento de R$ 4 milhões feito por Marcelo Odebrecht foi remetido ao escritório de Yunes em São Paulo.

"Estive com Michel Temer em um jantar no Jaburu, oportunidade em que ele solicitou a Marcelo Odebrecht pagamento ao PMDB. Esses pagamentos, no valor de R$ 4 milhões, foram realizados via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do senhor José Yunes", disse Melo Filho aos investigadores.

Na delação de Claudio Melo, ele diz ainda que Padilha lhe contou que R$ 1 milhão dos R$ 10 milhões que recebeu da Odebrecht foi para Cunha.

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