Dilma é vaiada ao defender volta da CPMF na abertura do ano Legislativo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Presidente fez discurso no Congresso Nacional diante de parlamentares com cartazes criticando o "imposto do cheque"

A presidente da República é cercada por parlamentares ao chegar ao Congresso, nesta terça-feira
Lucio Bernardo Jr. / CÂMARA dos Deputados
A presidente da República é cercada por parlamentares ao chegar ao Congresso, nesta terça-feira

Se o recesso parlamentar prometia acalmar os ânimos em Brasília, a abertura do ano Legislativo, nesta terça-feira (2), mostrou que a tensão deve seguir pairando sobre a presidente, ameaçada por um processo de impeachment, ao longo de 2016. 

Em longo discurso para senadores e deputados, realizado no final da tarde, na Câmara, Dilma Rousseff foi vaiada seguidas vezes por parlamentares ao defender medidas para estabilizar a economia brasileira, especialmente o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), segundo ela, "a ponte necessária entre a urgência do curto prazo e a necessária estabilidade fiscal no médio prazo". 

"O ajuste fiscal vai dar o passo necessário para administrar a política fiscal até que ela produza seus efeitos. Por isso, unicamente por isso, a CPMF, que é provisória", justificou a petista, que precisou paralisar momentaneamente o discurso enquanto era alvo de vaias de parlamentares da oposição, alguns deles com cartazes com "xô, CPMF" – outros com a bandeira do País –, tributo que vigorou entre os anos de 1997 e 2007, também conhecido como "imposto do cheque". 

"Aqueles que são contra a CPMF dizem que a carga tributária tem crescido no País, que ela não é necessária. Mas, quando avaliamos a arrecadação federal, vemos que os impostos têm caído nos últimos anos, passando de 16% do PIB em 2005 para 3,5% em 2015."

O discurso da presidente foi feito no Plenário da Câmara dos Deputados ao lado do presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Foi a segunda vez que Dilma abriu o ano Legislativo ao longo de seus dois mandatos – a anterior havia sido em 2011, ano em que assumiu a Presidência da República.

Apoio
Apesar das claras vaias nas questões econômicas, usadas por grupos anti-Dilma para exigir o impeachment da presidente – especialmente devido às chamadas pedaladas fiscais praticadas por seu governo –, apoiadores da presidente procuraram aplaudi-la para encobrir as críticas.

E, no longo discurso, o coro daqueles que estão na base legislativa da petista acabaram fazendo com que o evento fosse marcado mais por aplausos do que pelas vaias à presidente, que demonstrou claro desconforto durante sua fala. 

A presidente da República, Dilma, ao lado de Lewandowski, Renan Calheiros e Eduardo Cunha
Palácio do Planalto/Divulgação
A presidente da República, Dilma, ao lado de Lewandowski, Renan Calheiros e Eduardo Cunha

Ao defender o controle de gastos, incluindo na distribuição de renda de seus programas sociais, Dilma foi aplaudida. O mesmo ocorreu quando falou sobre a importância do ano para o País devido aos Jogos Olímpicos do Rio e da crise na Saúde pública como consequência da epidemia do zika vírus, responsável por casos de microcefalia em centenas de fetos no País. 

"Espero, ao longo deste ano, contar mais uma vez com a parceria do Congresso Nacional para fazermos o Brasil alcançar patamares mais altos de justiça, solidariedade e igualdade de oportunidades", discursou ela. "Uma crise é sempre um momento muito doloroso para ser desperdiçado."

Leia tudo sobre: dilma rousseffcongresso nacional

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas