PSB tenta superar divergências e decidir destino de Marina Silva

Por Clarissa Oliveira e Mel Bleil Gallo , iG Brasília | - Atualizada às

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Conversas informais para negociação de um acordo foram iniciadas no mesmo dia em que Eduardo Campos morreu

Um dia depois do acidente aéreo que matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, o PSB se lança na tarefa de decidir o destino da ex-senadora Marina Silva. Na quarta-feira (13), diante da notícia de que o avião que levava o socialista caiu em Santos, no litoral paulista, a ordem na campanha era silenciar. Embora aliados mais próximos do ex-governador estivessem totalmente concentrados nas investigações do acidente, parte da direção partidária dava início, nos bastidores, a conversas sobre se Marina deve assumir de fato a cabeça da chapa presidencial.

Relembre a trajetória política de Eduardo Campos, morto tragicamente na quarta:

Dilma Rousseff e Eduardo Campos durante vistoria às obras do lote 13 e do canal de aproximação do Rio São Francisco. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Reunião com Campos e Fernando Coelho. Foto: Palácio do PlanaltoDilma Rousseff, Lula e Eduardo Campos, durante a campanha de 2012. Foto: DivulgaçãoCampos rompeu com o governo neste ano e foi oficializado candidato do PSB à Presidência em junho (28/6). Foto: Humberto PraderaEduardo Campo e Marina Silva registram candidatura à Presidência (3/7). Ele deixou o governo de Pernambuco em abril deste ano. Foto: Reprodução/Facebook oficial PSBMaterial de campanha de Eduardo Campos, candidato à Presidência. Marina Silva era a vice em sua chapa. Foto: Ueslei Marcelino/ReutersCampos comemora aniversário de 49 anos durante caminhada de campanha em Arapiraca- AL.   (8/8/2014). Foto: PSBEduardo Campos foi eleito governador de Pernambuco em 2006 e reeleito em 2010. Foto: Ana Carolina Dias, iG PernambucoO governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, veio a São Paulo para encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEduardo Campos postou uma imagem ao lado do pai, Maximiano Campos, no dia dos pais. Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo Campos e a família durante missa. Ele deixa mulher e cinco filhos  (10/8). Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo postou na sua página no Facebook uma foto no nascimento de seu filho. Miguel nasceu com síndrome de down (29/1/2014). Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo Campos ao lado da família. Foto: ReproduçãoAo lado de Lula, Campos e a família velam o corpo de Miguel Arraes, avô do político, em Recife (14/8/2005). Foto: Ricardo Stuckert/PRCampos comemora com governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e com Lula a escolha do Brasil como sede da Copa (Zurique - 30/7/2007). Foto: Ricardo Stuckert/PRLula cumprimenta Eduardo Campos, que assume como ministro de Ciências e Tecnologia (23/1/2014). Foto: Ricardo Stuckert/PRCampos foi aliado de Lula durante seu governo e seguiu ao lado do PT até meados de 2013. Foto: Ricardo Stuckert/PREduardo Campos, ministro de Ciências e Tecnologia (2004), conversa com José Dirceu, ministro da Casa Civil na época. Foto: José Cruz/ABr Eduardo Campos, presidente do PSB e governador de Pernambuco (2006-2010), acompanha discurso do ministro da Educação Aloizio Mercadante. Foto: Antonio Cruz/ABrLula, na época Presidente, recebe governadores, entre eles Eduardo Campos, que comandou Pernambuco de 2006 a 2014. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Ainda na noite de quarta, parte da executiva socialista tentava articular uma reunião para esta quinta-feira (14) entre as direções do PSB e da Rede Sustentabilidade a fim de dar início as tratativas para a substituição.

De acordo com o senador e candidato ao governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), “ainda não há nada definido”. Mas há a expectativa de uma reunião informal nesta quinta-feira, em São Paulo. “Primeiro, vamos resolver coisas que precisam ser operacionalizadas - como liberação do corpo - e depois vamos conversar melhor sobre tudo isso”, disse ele.

Tragédia:
Morre em acidente aéreo Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência
Veja imagens do acidente que matou o ex-governador de Pernambuco

Ao menos dois fatores elevaram a pressão para que o PSB inicie imediatamente as negociações. O primeiro é a proximidade do início do horário eleitoral no rádio e na televisão, que começa na próxima terça-feira (19). Se for para formalizar o nome de Marina na disputa, o partido poderia reformular seu programa a tempo de entrar na campanha de TV já com a nova candidata. O segundo motivo é a preocupação em manter sob controle as divergências entre o time de Campos e aliados de Marina, que pautaram boa parte dos preparativos para a eleição.

Pela lei eleitoral, a chapa de Eduardo Campos só tem duas alternativas. A primeira é indicar, no prazo máximo de dez dias, um substituto com o qual todos os partidos coligados concordem. Esse nome pode vir do próprio PSB ou de qualquer outra sigla coligada. A candidatura de Campos tinha apoio do PPS, PHS, PPL, PRP e PSL. Dentro dessa opção, faltaria indicar também o nome de um novo vice. A segunda alternativa é a dissolução da chapa.

Reprodução
Candidata a vice Marina Silva faz pronunciamento sobre a morte do ex-governador de Pernambuco

Condições
Todas as conversas sobre a substituição de Eduardo Campos na cabeça de chapa ocorreram de maneira discreta. Nos bastidores, entretanto, aliados próximos do ex-governador admitiram que Marina é o único nome da coligação com viabilidade eleitoral. O simples fato de ser vice, disse um articulador da campanha, faz dela o nome natural. Soma-se a isso o recall da última eleição presidencial e o fato de ela já ser conhecida do eleitorado.

Prazo: PSB tem 10 dias para apresentar novo candidato ao TSE

O problema, dizem os socialistas, é saber em que termos Marina se tornaria candidata. Uma questão a ser discutida nas negociações, por exemplo, é se a ex-senadora seguirá ou não com os planos de criar a Rede Sustentabilidade e deixar o PSB após as eleições. Ao ceder a legenda para Marina quando a ex-senadora falhou em criar seu próprio partido a tempo de disputar a eleição, Campos havia se comprometido a não impor nenhum tipo de empecilho para que ela e todos os seus aliados migrassem para a nova legenda.

A rigor, diz um socialista, Marina “nem sequer poderia ser considerada uma candidata do PSB”. Ou seja, coloca-se ainda a necessidade de a ex-senadora convencer os setores do PSB que já torciam o nariz para sua candidatura de vice a se lançarem na campanha para elegê-la presidente.

Questões operacionais da campanha também preocupam o PSB. Uma delas é a arrecadação da campanha. Como vice, Marina já incomodava potenciais doadores em áreas como o agronegócio, que agora podem se afastar ainda mais da campanha, na avaliação de aliados do ex-governador. Além disso, a indicação de um nome para a vice também pode gerar atritos nas negociações.

Veja a última entrevista de Eduardo Campos ao iG:

Bombeiro
As divergências entre integrantes da Rede e o time de Eduardo Campos são velhas conhecidas do PSB. Há no partido, neste momento, a preocupação de evitar que o clima de indefinição torne a convivência entre os dois grupos ainda mais difícil. Lá atrás, o clima esquentou principalmente no chamado período de pré-campanha, em momentos como a definição da estratégia eleitoral e montagens de palanques regionais.

Marina sempre defendeu internamente que o partido lançasse candidatos próprios em todos os principais colégios eleitorais, mesmo que isso significasse abrir mão de alianças que pudessem assegurar um palanque presidencial mais sólido. O time de Campos cobrava um pragmatismo maior na disputa. A ex-verde foi voto vencido em vários momentos. Teve que aceitar, por exemplo, a aliança do PSB com PSDB de Geraldo Alckmin em São Paulo.

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No decorrer da pré-campanha, o próprio Eduardo Campos atuava como uma espécie de bombeiro. O socialista chegou a mediar conflitos entre alguns de seus aliados mais próximos e a candidata a vice. “Pode não parecer neste momento, mas o tempo vai mostrar que ela agrega votos. Ela vai nos ajudar a crescer lá na frente, temos que fazer algumas concessões”, disse o pernambucano a um aliado após uma discussão acalorada com um dos articuladores de sua campanha sobre a montagem dos palanques nos estados.

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