'Até a próxima semana', diz Dirceu após STF suspender sessão do mensalão

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-ministro assistiu ao julgamento dos embargos no salão de festas do prédio onde mora ao lado de 30 convidados; em clima tenso, ele passou a maior parte do tempo calado

Eram 17h desta quinta-feira quando o telão instalado no salão de festas do prédio onde mora José Dirceu mostrou o ministro Luiz Roberto Barroso pedir a suspensão da sessão de julgamento dos embargos declaratórios dos condenados pelo mensalão no Supremo Tribunal Federal. Pedido aceito pelos demais ministros, Dirceu se voltou calmamente para os cerca de 30 convidados e disse:

"Bom... até a próxima semana".

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Até então Dirceu estava pronto para ser levado à prisão ainda nesta quinta-feira. Em avaliação feita a pessoas próximas, Dirceu e seus advogados consideraram forte a possibilidade de o STF decretar a prisão dos condenados antes do final de semana.

AE
Ex-ministro José Dirceu aguarda decisão do STF sobre os embargos infringentes

"O Joaquim Barbosa vai fazer de tudo para prender o Zé agora. Ele quer ser aplaudido pelo povo no desfile de 7 de setembro", disse um dos mais antigos colaboradores de Dirceu. "O plano do Joaquim é ser aplaudido enquanto Dilma é vaiada no desfile", completou.

Suspensa a sessão, Dirceu reagiu com alívio resignado. Ele ganhou pelo menos uma semana ate o término do julgamento dos embargos de declaração e início da apreciação dos embargos infringentes.

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"É um alívio contraditório porque ele sabe que vai chegar a hora em que ele vai parar de respirar", exemplificou um dos convidados.

Ao contrário de outros condenados que optaram pela reclusão diante dos resultados do julgamento, Dirceu decidiu convidar amigos e companheiros para dar ma demonstração de força. O objetivo é reforçar a versão de que a prisão é resultado de um julgamento de exceção.

"Zé Dirceu está pagando o pecado de ter conseguido como presidente do PT eleger um operário presidente da república", disse o cineasta Luiz Carlos Barreto na saída do prédio.

Além dele, segundo relatos, foram convidados o escritor Fernando Morais, o atual presidente da CUT, Vagner Freitas, o ex Artur Henrique, o líder sem-teto Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, o virtual futuro presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, líderes estudantis, todas as filhas e ex-mulheres de Dirceu. Ele já preparou outra recepção para a quarta-feira que vem, quando o STF volta a apreciar os recursos.

O ex-ministro passou a maior parte do tempo calado, não fez discursos e se limitou a comentar aspectos técnicos do julgamento com um ou outro convidado. Três advogados presentes, entre eles o chefe da assessoria jurídica do PT, Marco Aurélio Carvalho, fizeram as vezes de comentaristas traduzindo o juridiquês dos ministros e pontuando as peculiaridades do julgamento.

Um deles foi quando Ricardo Lewandowski apontou uma suposta contradição da ministra Rosa Weber e ela reagiu com uma risada sonora, interpretada como sinal de nervosismo e da pressão à qual a ministra estava submetida.

O ponto alto foi quando Lewandowski mostrou um gráfico para reforçar o argumento de que algumas penas foram exageradas para evitar a prescrição. Alguns convidados chegaram a levantar das cadeiras.

No momento seguinte Celso de Mello concordou com Lewandowski e os convidados de Dirceu explodiram em aplausos como se comemorassem um gol enquanto o ex-ministro permaneceu impassível em sua cadeira.

"Convidar estas pessoas é do perfil do Zé. Até quem não gosta ou não conhece ele muito bem admite que é um homem que nunca abandona a luta", disse Marco Aurélio Carvalho.

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