Presidente da CBF volta a negar relação com a morte de Herzog durante a ditadura

Por Agência Estado |

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Com voz cansada, ele insinuou que as denúncias têm relação com a eleição à presidência da entidade

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O presidente da CBF, José Maria Marin, voltou a falar nesta segunda-feira (1º) sobre seu envolvimento com o regime militar e negou novamente ter relação com a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, nos porões do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. Com voz cansada, ele disse que não fez mais do que um aparte a um discurso do então deputado estadual Wadih Helou e insinuou que as denúncias têm relação com a eleição à presidência da entidade, marcada para abril do ano que vem.

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Paulo Mumia/VIPCOMM
Pergunta sobre o assunto foi feita por jornalista sueco durante coletiva. O assessor da Fifa, que conduzia a entrevista, alertou agressivamente que novas indagações não seriam aceitas

"Talvez você acredite que uma mentira dita mil vezes se torne verdade. É um fato que não tem nada a ver, ocorrido em 1975. Depois, fui governador, tive outros cargos políticos e ninguém mencionou mais este fato. Só agora. Para ver como o futebol tem importância", disse. "Sou um homem de paz, nunca fiz um ato deliberado contra quem quer que seja."

Marin tentou explicar mais uma vez sua intervenção no discurso de Helou. "É simples. Fiz um aparte, de menos de dois minutos, dizendo que a TV Cultura, do governo, não estava divulgando as obras realizadas pelo governador Paulo Egídio no interior. Eram seis obras. Disse que o governador não tinha o que reclamar ou o jornalista estava errado. Disse que se apurasse a verdade."

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Em seguida, Marin relacionou as denúncias ao fato de ter assumido a presidência da CBF, no ano passado. "Foram mais de 35 anos sem que esse assunto fosse tocado. Agora que assumi este cargo, surgem essas coisas". Presidente também do Comitê Organizador da Copa do Mundo, Marin garantiu que não vai se candidatar à reeleição na CBF e que sua missão até o fim do mandato é contribuir para a conquista do hexacampeonato mundial.

"Meu único trabalho é dar essa alegria à torcida brasileira. Fora isso, não tenho ambição política nenhuma. Tenho compromisso com a verdade." Ele aproveitou o ensejo para reforçar sua afinação com o governo federal e que tudo não passava de uma tentativa de minar sua relação com a presidente Dilma e seus interlocutores. "Eu estava conversando justamente isso com o ministro Aldo (Rebelo, dos Esportes). Estão querendo nos intrigar", destacou.

A pergunta sobre o envolvimento do cartola com a morte de Herzog foi feita por um jornalista sueco, em inglês. Percebendo o constrangimento de Marin, o assessor da Fifa que conduzia a coletiva alertou agressivamente que novas indagações sobre o tema não seriam aceitas e que as perguntas deveriam se restringir à organização da Copa das Confederações, encerrada no domingo (30) com a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Espanha.

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