A decisão da Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (AM) de retomar o uso obrigatório de máscaras em espaços fechados levantou a discussão sobre o risco de um novo pico da Covid-19 no Brasil.
A medida foi publicada no Diário Oficial do município na última sexta-feira (25), após aumento expressivo de casos no início de 2025, e atende a uma recomendação da Defensoria Pública do Estado do Amazonas .
Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que os casos confirmados passaram de 14 em dezembro de 2024 para 334 em janeiro.
Em fevereiro, foram 126 registros. Em março, o município confirmou 87 casos entre 197 suspeitos. No acumulado de abril, até o dia 22, os números variam entre 378 e 400, dependendo do boletim. Pelo menos uma morte está sob investigação.
O município, que tem cerca de 51 mil habitantes, é considerado o mais indígena do país, com 90% da população pertencente a povos originários.
O decreto municipal também restringe a entrada em territórios indígenas a pessoas com teste negativo para Covid-19 realizado nas últimas 48 horas ou vacinação comprovada.
Brasil pode enfrentar nova crise de Covid-19?
Apesar do cenário local, especialistas e autoridades de saúde não identificam, no momento, risco de um novo pico em escala nacional. O clínico geral Nelson Assis afirmou que os indicadores não apontam para uma nova onda.
“Neste ano, o Brasil teve um aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com 13 estados e o Distrito Federal em nível de alerta ou alto risco, no entanto, a letalidade da Covid-19 está baixa. Tivemos mais de 179,6 mil casos registrados neste ano e pouco mais de 1,3 mil mortes”, disse.
Segundo Assis, para que haja uma nova pandemia ou uma grande onda de casos , seria necessário o surgimento de uma variante com maior capacidade de transmissão ou escape imunológico. “Não há qualquer indício que isso esteja ocorrendo em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
A decisão local de retomar o uso de máscaras foi motivada pelo crescimento da demanda por testes rápidos e pela circulação simultânea de outras viroses respiratórias, como gripe e vírus sincicial respiratório, o que tem pressionado o sistema de saúde municipal.
“É fundamental que, apesar de não estarmos perto de um novo risco pandêmico por causa da Covid-19, manter campanhas de vacinação e cuidados. As cidades devem apostar na prevenção”, disse.