Petistas veem crescimento da direita nas ruas e risco de venezuelização

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de identificar o risco, lideranças não sabem ainda que postura o partido deve adotar

Futura Press
Manifestantes rasgam bandeira do PT durante protesto na Avenida Paulista

Depois de oito horas de reunião na quinta-feira (27) na sede do partido, em São Paulo, dirigentes nacionais e estaduais do PT mostraram ter poucas certezas sobre a onda de manifestações no País, muitas dúvidas e uma grande preocupação: que a forte presença de grupos de direita nas manifestações acabe por criar no Brasil uma divisão social semelhante à que ocorreu na Vanezuela desde a chegada de Hugo Chávez ao poder em 1999.

"Temos de tomar muito cuidado. Se falarmos "vamos para a rua" corremos o risco de deslegitimizar estes movimentos e criar uma direita no Brasil", disse o secretário-geral do PT, Paulo Teixeira.

O deputado Reginaldo Lopes, presidente do diretório estadual do partido em Minas Gerais, foi ainda mais direto. "A rua é o nosso campo mas a verdade é que a direita quer disputar as ruas como fez na Venezuela", disse ele ao iG.

Na maioria das manifestações foram vistos cartazes e faixas com mensagens consideradas de direita ou de oposição como a redução da maioridade penal, destituição da presidente Dilma Rousseff, prisão dos mensaleiros e até a volta da ditadura militar. Em São Paulo, no sábado (22), um grupo de 50 skinheads pertencentes a grupor neofascistas e ultranacionalistas fechou a passeata contra a PEC 37 com uma bandeira do estado.

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Segundo fontes petistas, o primeiro a perceber o risco venezuelização do Brasil foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estimulado por correligionários a usar sua popularidade para mobilizar a população em atos a favor do governo Dilma Rousseff em uma das muitas conversas sobre o assunto na semana passada, Lula teria respondido: "Quem fez conflito de massas foi o Chávez e nós não somos chavistas".

Uma das principais dúvidas do PT no momento é sobre como participar dos protestos para evitar que a pauta de direita prevaleça sem entrar em um clima de confronto com os manifestantes, muitos deles contrários à presença de partidos políticos.

Em entrevista coletiva o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o PT vai continuar indo para as ruas. Questionado sobre a forma das manifestações, no entanto, Falcão não soube responder. "Isso ainda não foi discutido".

Na quinta-feira (20) passada, militantes do PT foram hostilizados e agredidos por manifestantes durante um ato organizado pelo Movimento Passe Livre na avenida Paulista.

Na reunião de ontem, alguns dirigentes defenderam que os governadores e prefeitos do PT entrem em campo para dialogar com os manifestantes, negociar pontos específicos da pauta dos protestos e aproximar o PT das ruas. Um dos exemplos citados foi o do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que ontem anunciou o passe livre para estudantes na região metropolitana de Porto Alegre.

"A gente quer estabelecer um diálogo, não um conflito", disse o presidente do PT gaúcho, Raul Pont.

Por outro lado, algumas correntes do partido argumentam que o PT não pode abandonar as ruas. "O partido não pode ter uma postura de covardia política", disse o deputado Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT.

Existe ainda a preocupação com setores exaltados ligados ao sindicalismo e favoráveis ao confronto. "Vamos colocar o povo na rua com uma pauta de esquerda", disse o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, que está preparando uma grande manifestação em São Paulo para o dia 11 de julho em parceria com outras centrais sindicais.

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