Dilma convoca governadores para 'grande pacto' de melhoria dos serviços públicos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em pronunciamento, presidente defendeu protestos pacíficos, anunciou Plano de Mobilidade Urbana, explicou os gastos da Copa de 2014 e ressaltou a importância dos partidos

Um dia após a onda de manifestações que levou mais de 1 milhão às ruas, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (21) em pronunciamento à nação que está ouvindo as vozes da rua que pedem mudança e condenou a violência de uma minoria que participa dos protestos. “Meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Estou ouvindo vocês, mas não vou transigir com a violência”. A presidente anunciou um Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo, defendeu os gastos da Copa de 2014 e convocou governadores e prefeitos a somar esforços e selar um "grande pacto" para melhorar os serviços públicos no País.

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"A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática. Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. E disso eu não abro mão. Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade, ela quer escolas de qualidade, ela quer atendimento de saúde de qualidade, ela quer um transporte público melhor e a preço justo, ela quer mais segurança. Ela quer mais. E, para dar mais, as instituições e os governos devem mudar", disse Dilma em cadeia nacional.


Sobre a Copa, a presidente afirmou que o dinheiro gasto nas arenas é "fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e pelos governos que estão explorando esses estádios". “Jamais permitiria que esses recursos saíssem do Orçamento público federal prejudicando setores prioritários como saúde e educação", afirmou. 

Dilma disse também que é um erro prescindir de partidos como muito se defendeu nas manifestações e que quer contribuir para a reforma política com maior participação da sociedade. "Quero contribuir para reforma política para ampliar a participação. É equívoco achar que um país pode prescindir de partidos e do voto popular. Precisa ter mais mecanismos de controle", afirmou ao defender transparência e "oxigenação do sistema político”.  

Dilma cobrou do Congresso a aprovação de 100% dos royalties do petróleo para a educação. E também citou a medida que trará médicos do exterior para ajudar no atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde).  

A presidente afirmou que irá receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos dos trabalhadores e das associações populares: "Temos de aproveitar o vigor dessas manifestações para produzir mais mudanças"

Em mais de um momento, Dilma fez questão de elogiar os protestos e condenar os atos de vandalismo. "Os manifestantes têm o dever e o direito de se manifestar e propor mudanças, lutar por qualidade de vida, mas precisam fazer isso de forma pacifica e ordeira. O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus, e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos”, afirmou Dilma sobre os atos de vandalismo durante os protestos.

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O pronunciamento foi decidido após reunião de Dilma com ministros ao longo do dia para avaliar a violência dos últimos protestos. Ela chegou ao Palácio do Planalto às 9h15 e pouco depois começou a reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava marcada para as 9h30. Dilma se reuniu também com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o da Educação, Aloizio Mercadante.

Mais cedo, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, disse nesta sexta-feira que Dilma estava preocupada com os atos de vandalismo. “As manifestações acabam sendo palco de vandalismo. É triste ver a Esplanada como amanheceu”, disse o ministro se referindo aos estragos provocados no Palácio do Itamaraty e em outros prédios públicos. “Não iremos aceitar e no momento oportuno a presidente irá se manifestar”, disse o ministro.

Na quinta-feira, mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas em várias capitais - Brasília , São Paulo e Rio de Janeiro entre elas - e em várias cidades em protestos tensos que terminaram com a morte de um adolescente em Ribeirão Preto, diversos feridos e locais depredados e saqueados.

A invasão ao Palácio do Itamaraty deixou as autoridades palacianas "assustadas" e "chocadas". Elas consideraram este fato "muito grave". Houve episódios de violência em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém e Campinas.

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