CUT organiza no 1º de Maio campanha pela democratização da comunicação

Por Gisele Silva , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

‘Quero falar também!’ é o mote da mobilização cujo objetivo é recolher assinaturas para um projeto de lei de inciativa popular de regulamentação dos meios de comunicação

A CUT prepara para as comemorações do dia 1º de maio no ABC paulista uma mobilização que terá como um dos temas centrais a democratização dos meios de comunicação. O objetivo da campanha “Quero Falar Também!”, que reúne uma série de 15 vídeos na internet produzidos pela TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, é recolher assinaturas para um projeto de iniciativa popular para criar um marco regulatório para o setor.

Leia mais: PT perde queda de braço com Dilma por regulação da mídia

Ex-presidente: Lula aponta imprensa como verdadeira oposição ao PT

Não só a CUT, mas também o PT entrou na campanha liderada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e que inclui ainda outras organizações. A mobilização em torno do abaixo-assinado para viabilizar uma legislação contra o “domínio dos meios de comunicação na mão de algumas organizações” também acontece em meio a discussões sobre o tema dentro do PT e diante da negativa do Planalto de apresentar a proposta ao Congresso. O texto do projeto deve ser fechado em plenária no próximo dia 19.

Segundo a Constituição, um projeto de iniciativa popular precisa receber a assinatura de pelo menos 1% dos eleitores brasileiros – cerca de 1,4 milhão de assinaturas – divididos entre cinco Estados, com não menos de 0,3% do eleitorado de cada Estado.

Rosane Bertotti, coordenadora-geral do FNDC e secretária de Comunicação da CUT, afirmou que um dos temas centrais do projeto de lei é o fim do monopólio dos meios de comunicação e da propriedade cruzada. “Isso só garante a liberdade de quem tem o monopólio. Não queremos fechar emissoras, queremos que tenham seus direitos, mas nós queremos regulamentar para que outros também tenham seus canais”, disse ao defender que só existe liberdade de expressão quando a comunicação é vista como bem público.

As entidades também pedem a regulamentação de artigos do capítulo da Constituição Federal que trata de Comunicação Social, como o que garante a produção e veiculação de conteúdo nacional e regional. Segundo Rosane, a mobilização defende o respeito à pluralidade e à diversidade do País. “Não queremos uma comunicação nem totalmente de direita nem totalmente de esquerda. Queremos uma comunicação plural, não queremos uma comunicação chapa branca”, afirmou. 

Da campanha, fazem parte 15 vídeos explicativos, produzidos pela TVT, que usam o hip hop, o repente, a música sertaneja etc. para criticar os meios de comunicação e explicar a importância da mobilização. “O tema da democratização dos meios de comunicação é essencial para a democracia e tem a ver com o dia a dia do trabalhador. A CUT entende que esse debate passa por um debate mais amplo, do País que a gente quer e da democracia que vivemos”, disse a coordenadora-geral do FNDC e secretária de Comunicação da CUT.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, é o principal opositor no governo de uma proposta de marco regulatório da mídia. Ele recebeu um projeto elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins, seu antecessor, e a engavetou. Dilma também nunca escondeu que é contra qualquer projeto de regulação da mídia. O maior defensor de alguma forma de regulamentação dos meios de comunicação é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem feito críticas à imprensa em seus discursos.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas