Senador ‘90% honesto’ deve voltar a presidir Conselho de Ética do Senado

Por Wilson Lima , iG Brasília |

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Aliado do senador José Sarney (PMDB-AP), João Alberto (PMDB-MA) reassume cargo e tem função de coordenar investigações sobre colegas

Aliado histórico da família Sarney no Maranhão, o senador João Alberto (PMDB-MA) deve ser eleito novamente presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Alberto, que ficou conhecido por ter se declarado um político “90% honesto”, deve ser reconduzido ao cargo nesta semana, na eleição prevista para ocorrer até quinta-feira.

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O Conselho de Ética tem como principal função apurar denúncias de quebra de decoro parlamentar. Ele estava desativado desde o ano passado, após a cassação do ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O colegiado tem 15 membros e Alberto deve ser eleito por aclamação em uma articulação comandada pelo PMDB. “O Senado não pode ficar sem o Conselho de Ética”, disse Alberto ao iG.

Pedro França/Agência Senado
Senador João Alberto Souza (PMDB-MA)


Quando foi governador do Maranhão, no início dos anos de 1990, Alberto admitiu em uma entrevista ser um político “90% honesto”. A frase foi utilizada, por exemplo, por seus adversários quando ele disputou a prefeitura de São Luís, em 1992. Na época, cartazes foram espalhados em toda a capital maranhense. O hoje senador perdeu a eleição para a então candidata do PDT, Conceição Andrade, que estava em sua primeira disputa para um cargo executivo.

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Polêmico, Alberto foi investigado em duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Assembleia Legislativa do Maranhão. Uma por indícios de irregularidades na Companhia Habitacional Popular do Maranhão (Conab) e outra por suspeita de fraudes em contratos da Companhia de Desenvolvimento Rodoviário do Maranhão (Coderma) e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER). As CPIs descobriram que houve pagamentos ilegais de passagens aéreas e diárias, mas Alberto não foi condenado. Ele também respondeu a duas ações cautelares no Supremo Tribunal Federal (STF), arquivadas em 2008.

Uma vez confirmada a eleição, esta será a quarta vez que Alberto assumirá a presidência do Conselho de Ética do Senado. Ele esteve à frente do órgão em 2000, ficando até 2002. Nessa primeira gestão, ele foi contra a cassação de mandato do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), acusado de participação em fraudes na Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia).

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Depois disso, Alberto foi reeleito, permanecendo no cargo até 2006, quando deixou a função para se candidatar ao cargo de vice-governador, ao lado de Roseana Sarney (PMDB-MA). A dupla perdeu as eleições para Jackson Lago, que teve o mandato cassado em 2009 e faleceu em 2011.

Em 2011, Alberto voltou ao cargo sendo eleito com 14 dos 15 votos do conselho. Ele deixou novamente a função no ano passado, quando foi convidado a assumir a Secretaria de Projetos Especiais da Casa Civil do governo Roseana Sarney. Ao lado do deputado federal Francisco Escórcio (PMDB-MA), Alberto é considerado um dos mais fiéis aliados da família Sarney no Maranhão.

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