‘Mau uso do recurso público tem que ter consequências’, diz Rose de Freitas

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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Candidata à presidência da Câmara diz não se sentir constrangida em concorrer contra Eduardo Alves, do mesmo partido; segundo ela, candidatura do colega não foi discutida

A candidatura da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) à Presidência da Câmara nasceu em contraposição à cúpula de seu próprio partido. Ela impôs seu nome numa afronta à candidatura do atual líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (RN), representante do acordo firmado entre PT e PMDB, que garante o comando da Câmara e do Senado para os peemedebistas.

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“Eu não me lancei candidata, eu fui lançada por vários colegas, cerca de 80 parlamentares que defenderam que eu deveria construir uma candidatura alternativa à candidatura dita como oficial”, disse a deputada que se sente constrangida em desobedecer à ordem da direção.

A candidatura de seu colega de partido, favorito na disputa, na opinião de Rose, não foi fruto de uma discussão interna do PMDB. “Não houve uma reunião de cúpula. O partido não fez por edital, por pauta, uma reunião para decidir esta questão. Foi uma aclamação sem discussão. Portanto, se não foi discutido, você passa a ter o direito de decidir sobre isso”, enfatiza a atual vice-presidente da Casa, que defende a investigação contra as denúncias de corrupção divulgadas contra Alves. Veja a entrevista:

“Tudo aquilo que diz respeito ao mau uso do recurso público precisa ser investigado profundamente e tem que ter suas consequências”, declarou a deputada que ainda defendeu a devolução dos recursos. "Tem que devolver”, defendeu a deputada.

Alves é suspeito de destinar emendas parlamentares para abastecer a empresa Bonacci Engenharia e Comércio Ltda, pertencente a seu assessor Aluizio Dutra de Almeida. O assessor, que trabalha com Alves desde 1998, pediu demissão quando as denúncias foram divulgadas.

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Rose diz esperar ter votos das alas mais desprestigiadas da Câmara, formada por deputados do chamado “baixo clero”. “O que eu pretendo é mudar a Câmara. Tirar esse processo de exclusão que coloca meia dúzia de pessoas trabalhando, meia dúzia de pessoas com capacidade para relatar projetos importantes”, reclama.

Entre suas promessas de campanha, estão propostas que agradam principalmente essa ala da Câmara, mais numerosa e com menor influência nas decisões. “Teria que haver alternância na escolha das relatorias, coisa que não existe”, destacou. “Também se construiu uma mentalidade de que a Casa só pode votar matérias consensuais. O debate democrático não está presente”, enfatiza a deputada.

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