'Não sou o Severino Cavalcanti', diz Júlio Delgado sobre disputa na Câmara

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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iG abre hoje série de entrevistas com os postulantes aos comandos da Câmara e do Senado; deputado do PSB defende investigação sobre abuso nas emendas parlamentares e diz ter votos em todos os partidos

A candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) começou a ser falada na Câmara no ano passado, tão logo se conheceu o desfecho das eleições municipais. Animados com o crescimento do PSB nos municípios e no contexto de revolta da base contra a decisão da presidenta Dilma Rousseff de caminhar prioritariamente com o PMDB, o nome de Delgado passou a ser visto como alternativa ao acordo, firmado entre PT e PMDB em 2010, com apoio do Planalto, que garante aos peemedebistas o comando da Câmara e do Senado nos próximos dois anos.

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Delgado inaugura a série de entrevistas do iG com candidatos às presidências das duas Casas. “Há um sentimento de vários partidos da base que não participaram do acordo preestabelecidos entre dois partidos - que não têm o desejo de ver o PMDB tão hegemônico, com a vice-presidência da República, com a presidência do Senado, porque lá não terá disputa, e com a presidência da Câmara - de reequilibrar as forças dos partidos da base”, justifica Delgado.

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Diante das denúncias de mau uso das emendas parlamentares, que atingem o candidato do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), apontado como favorito na disputa pela Câmara, Delgado defendeu uma investigação sobre o assunto e alertou: “O Severino da disputa não sou eu”, referindo-se aos escândalos que provocaram a saída do cargo do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PB), em 2005.

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“Posso te afirmar com categoria que o Severino caiu em função de denúncias de ordem ética. Não sou eu quem representa o Severino nesse processo. Não tenho, graças a Deus, nenhuma denúncia sobre minha pessoa, já fui relator de processos em que minha vida aqui foi investigada de cima para baixo e eu posso dizer que se tem alguém que representa o Severino nesse pleito, não sou eu”, disse o deputado.

Júlio Delgado também criticou a postura do Planalto de apostar na candidatura apresentada pela cúpula do PMDB. Para ele, essa relação coloca o governo como “refém das políticas fisiológicas” do PMDB. “Eu acho que ultimamente o Palácio do Planalto nem vê a nossa candidatura de oposição ou alternativa”, destacou.

“O Palácio vê como outra boa opção. É importante reequilibrar essas forças e ter uma candidatura que não vai ficar garroteando o governo, chantageando o governo, fazendo com que o governo seja refém sempre das políticas fisiológicas”, disse.

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