Roseli Pantoja nega que o CPF apontado na documentação da CPI seja o seu; ela teria dado procuração para o ex-marido, que deverá ser convocado para depor

A comericante Roseli Pantoja afirmou durante sessão da CPI do Cachoeira nesta quarta-feira que seu nome foi usado sem sua autorização para a abertura da empresa Alberto & Pantoja Construções - responsável pela movimentação de R$ 60 milhões da organização comandada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira . Ela afirmou que só soube de sua situação pelo que leu na internet. "Eu não trouxe advogado, vim aqui sozinha. Não tenho nenhum envolvimento com essa quadrilha. Estou aqui para esclarecer o que puder”, afirmou.

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Roseli Pantoja compareceu à sessão da CPI do Cachoeira e negou envolvimento com organização criminosa
Agência Câmara
Roseli Pantoja compareceu à sessão da CPI do Cachoeira e negou envolvimento com organização criminosa


Roseli é apontada como sócia da empresa Alberto & Pantoja Construções e outras cinco empresas utilizadas pela organização de Cachoeira. Ela disse que não conhecer nehuma dessas empresas.

Ela disse que nunca viu Cachoeira nem conhece as demais pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa investigada pela comissão, como Lenine Araújo de Souza e Gleyb Ferreira da Cruz.

Roseli corrigiu a grafia do nome dela, que termina com “i”, e não com “y”, como foi grafado nos inquéritos da Polícia Federal. Ela também disse que o CPF apontado na documentação da CPI não é o dela e confirmou apenas o endereço. Essas correções fizeram com que os parlamentares chegassem a cogitar que se tratava de uma homônima.

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Entretanto, ela afirmou que, há cerca de um ano, deu uma procuração para o ex-marido, o contador Gilmar Carvalho Morais, abrir sua empresa, que é uma loja de itens de rock. Segundo Roseli, seu ex-marido usou a procuração para abrir contas e passar cheques sem fundo no seu nome - uma das causas do fim do casamento de 13 anos. O ex-marido deverá ser convocado a depor.

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Segundo a Polícia Federal, a Alberto & Pantoja é uma empresa de fachada integrante do esquema criminoso montado por Cachoeira, utilizada para triangular pagamentos ilegais da construtora Delta. Assim como a Brava Construções, ela tem endereço fictício - um prédio numa cidade-satélite de Brasília onde funciona uma oficina mecânica.

Carlinhos Cachoeira está preso desde o dia 29 de fevereiro sob suspeita de chefiar um esquema de exploração de jogos ilegais envolvendo servidores públicos e privados.

Mais cedo, o ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso de Paula compareceu à CPI, mas anunciou que permaneceria em silêncio. Sua decisão provocou um longo debate entre os parlamentares sobre o rito adotado até aqui pela comissão: dispensar o convocado, se este afirmar que não dará esclarecimentos. Apesar do debate, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que preside a sessão nesta quarta-feira, manteve a decisão de liberar o depoente.

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O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), pediu a colaboração de Edivaldo, lembrando que ele foi citado em mais de 500 ligações interceptadas pela Polícia Federal, mas ele evocou novamente o direito ao silêncio. "O silêncio poderá ser considerado por nós como consentimento das imputações", disse o relator.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) criticou a impossibilidade de fazer perguntas ao depoente. "O que se está decidindo agora não é sobre o senhor Edivaldo, é o procedimento diante dos senhores Cavendish, Pagot e Paulo Preto. A matéria tem de ser sim revista pela comissão porque foi alterada com o jogo em andamento?", afirmou.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse ser contra adotar um comportamento diferente para cada habeas corpus. "Acho correto haver uma nova votação. O que não se pode é adotar procedimentos diversos com pessoas com habeas corpus idênticos", disse.

Antes do encerramento da reunião, foi também chamado à sessão o ex-segurança de Demóstenes Torres Hillner Braga Ananias.  Ele estava munido de um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e permaneceu em silêncio, tendo sido dispensado.

Segundo o autor do pedido de convocação, senador Pedro Taques, as escutas telefônicas indicam que Ananias tinha como hábito ir à casa de Cachoeira pegar dinheiro em espécie.

Com Agência Câmara

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