Grampos da PF envolvem Cachoeira em suspeita de sequestro

Gravações obtidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram violência utilizada pelo grupo do contraventor

iG São Paulo |

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , é suspeito de comandar o sequestro de um homem que estaria fraudando seus caça-níqueis e retirando o dinheiro, segundo informou reportagem do Fantástico , veiculada pela TV Globo no domingo. De acordo com investigações da PF, em abril de 2009, ele teria ordenado que o sargento reformado da Aeronáutica Idalberto de Araújo, o Dadá, apontado como informante de Cachoeira, averiguasse a situação e usasse violência.

Dadá: "Eu falei: 'bicho, é o seguinte: todo o material que 'tá' aqui apreendido vai ser 'entregado' para o Carlinhos'"
Carlinhos Cachoeira: "Excelente. Faz isso aí. Manda brasa. Desbarata esses malandros aí".

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AE
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Em seguida, segundo investigações da PF anteriores à Operação Monte Carlo - que prendeu o bicheiro em fevereiro deste ano -, sob as ordens do chefe, Dadá teria feito Elion Alves Moreira refém, para que ele confessasse a suposta fraude.

Dadá: "O celular dele tá aqui com a gente, entendeu? Então, ele tá sem comunicação com o time dele lá"
Carlinhos Cachoeira: "Pega ele e leva ele pra outro canto até ele contar".

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A polícia afirma, segundo a reportagem, que o refém chegou a ser agredido a mando de Cachoeira.

Dadá: "Era melhor ele ter baixado a bola e não ter levado o pescoção"

Carlinhos Cachoeira: "Exatamente, malandro. Tinha que arrumar na orelha dele meso, vigarista."

O advogado de Elion nega que tenha havido sequestro e afirma que a Polícia Federal fez uma interpretação errada das escutas.

Propina

De acordo com a reportagem do Fantástico , as investigações da Polícia Federal apontam que nas cidades em Brasília e no entorno, quem tinha ponto de jogos ilegais era obrigado a pagar 30% do faturamento à organização comandada por Carlinhos Cachoeira. Em uma das gravações Lenine Araújo de Souza, o "gerente" da suposta quadrilha, diz que Cachoeira comanda a exploração de jogos ilícitos há 17 anos.

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Para que a organização funcionasse, ao menos 32 agentes da Polícia Civil, Militar e Federal recebiam propina. Segundo a contabilidade da organização obtida pela PF, que vai de 25 de fevereiro a 2 de agosto de 2001, o policial federal Anderson Aguiar Drummond teria recebido oito pagamentos, totalizando R$ 24 mil. O advogado do agente nega.

O delegado José Luiz Martins de Araújo, chefe da 5ª Delegacia Regional de Luziânia, próximo a Brasília, e Regina de Melo, uma das funcionárias, também são apontados como recebedores da organização de Cachoeira. Regina, que, segundo a polícia era quem fazia os contatos com Lenine, chega a pedir uma reforma da delegacia.

Regina: "Nós estamos precisando de 670 reais pra pagar o pedreiro e botar a soleira na porta e os portais"
Lenine: "Eu vou ajudar aí"

Um inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Alexsandro Fonseca, o "Tchê" ou o "Gaúcho" teria recebido R$ 31 mil, de acordo com a contabilidade apreendida pela polícia. Ele, segundo a reportagem, está afastado do cargo e negou o recebimento de propina.

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