Acusada de sacar dinheiro do mensalão trabalha hoje em empresa de minivans

Ex-diretora da agência SMP&B, Simone Vasconcelos é apontada como 'operadora externa' de Marcos Valério. 'Ela respondia a ordens', diz advogado

Bruna Carvalho - iG São Paulo | - Atualizada às

Agência Brasil
Simone Vasconcelos estaria recolhida com a família "fazendo reflexões" antes do julgamento

Apontada como "operadora externa" de Marcos Valério no mensalão , Simone Vasconcelos hoje não está mais no ramo da publicidade. Ela, que era diretora-administrativa da SMP&B, agência apontada como central no repasse de dinheiro do esquema, possui com o marido uma microempresa de vans, que faz traslados de curta distância em Belo Horizonte (MG).

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Simone era, segundo a acusação, a principal "sacadora" das contas de Marcos Valério no Banco Rural e responsável pela entrega do dinheiro aos beneficiados do mensalão.

Apesar de não ser lembrada como um dos principais nomes ligados ao escândalo, a administradora responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) tem início no dia 2 de agosto.

Seus advogados afirmam na defesa entregue ao STF que Simone, apesar do cargo de diretora, era uma funcionária subalterna que "não comprava uma bala" sem autorização dos sócios da SMP&B, Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz.

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"A questão é que ela não tinha poder de gestão. Era uma funcionária comum que trabalhava de carteira assinada. Ela não tinha autonomia financeira. Trabalhava em uma sala modesta, que era dividida com outra pessoa", disse ao iG o advogado de Simone, Leonardo Yarochewsky.

Para o advogado, as acusações da Procuradoria são "pesadas", uma vez que Simone respondia a ordens quando entregava o dinheiro e não travou conhecimento com nenhum dos políticos  ligados ao esquema.

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"O Marcos Valério falava: 'Simone, o Delúbio ligou e tem que entregar o dinheiro para fulano'. Ela nem sabia quem era, se era deputado, assessor. Ela era uma secretária. Qual secretária perguntaria para o seu patrão qual era a finalidade?", disse.

"Ela nem sabia do que se tratava. Ela não conhecia ninguém da cúpula do PT. Ela nunca esteve com o (ex-tesoureiro do PT) Delúbio (Soares). O (ex-ministro da Casa Civil José) Dirceu nunca ouviu falar nela."

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Yarochewsky afirma que Simone obedecia aos pedidos do chefe e não fazia perguntas, pois temia ser demitida. Questionado se o seu posto chegou a ser ameaçado por alguma indagação sobre o repasse de quantias vultosas, o advogado respondeu: "Para bom entendedor, meia palavra basta. (A entrega do dinheiro) era uma ordem."

Ele acrescentou que Simone, ex-servidora do governo do Estado de Minas Gerais, gostava muito de trabalhar na empresa de Valério e vestia a camisa da empresa. "Ela achava que eram empréstimos legais."

Hoje, às vésperas do mensalão, ela está recolhida com seus familiares em Belo Horizonte e "fazendo reflexões". "Ela ficou muito abatida. Foi muito exposta."

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