Defesa de Valério vai admitir caixa 2 e acusar delator de inventar mensalão

Argumentação é semelhante à do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ataca um ponto vital para comprovação do esquema do mensalão

Wilson Lima - iG Brasília |

Durante o julgamento do mensalão , marcado para a próxima quinta-feira, 2 de agosto, a defesa do publicitário Marcos Valério, apontado pela Procuradoria Geral da República como o operador do esquema, vai ratificar que tudo não passou de um esquema de caixa 2, que abasteceu o PT, o PP, o PL e o PMDB entre os anos de 2002 e 2004.

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A defesa de Valério vai além e acusa o ex-deputado federal Roberto Jefferson de ter “inventado” o esquema de compra de apoio político de parlamentares durante a primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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Marcos Valério é apontado como operador do mensalão pela Procuradoria da República

De acordo com a denúncia da Procuradoria da República, Marcos Valério contraiu empréstimos da ordem de R$ 55 milhões. Os recursos foram repassados a parlamentares e a representantes dos partidos para compra de apoio político em votações importantes, como a reforma da previdência, por exemplo. Valério sempre negou a existência do pagamento de propina a parlamentares. Mas admitiu que contraiu empréstimos e os repassou diretamente a partidos da base aliada. Principalmente o PT.

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No julgamento, a defesa de Valério vai ratificar essa tese, o que acarretaria em um crime eleitoral, passível de três anos de prisão, mais multa. O advogado de Marcos Valério acredita que, em nenhum momento, a Procuradoria da República conseguiu provar a existência de um “ato de ofício” dos deputados federais supostamente “comprados” com o dinheiro do “valerioduto”. Essa prova de atuação dos políticos em favor do esquema é considerada fundamental para a comprovação do mensalão.

“Em face desta robusta prova produzida, durante a instrução criminal contraditória, no curso desta ação penal, somente quem pretender tapar o sol com a peneira poderá afirmar que houve compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional”, argumentam os advogados de Valério.

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Na sua defesa, Valério anexa depoimentos da presidenta Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-ministro Antônio Palocci, entre outros, que negaram até ter ouvido falar em um esquema de compra de apoio político de parlamentares.

Nas alegações finais, os advogados de Marcos Valério também afirmam que ele foi alvo de uma campanha difamatória na mídia, cujo discurso foi incorporado pela Procuradoria da República. “Dos réus, Marcos Valério foi o único que recebeu xingamento nos autos”, argumentam os advogados do publicitário. Embora não seja alvo das sustentações orais da defesa de Valério, durante o julgamento, os advogados sugerem nas alegações finais que não se pode falar em esquema do mensalão, sem o conhecimento de Lula. Essa é uma argumentação semelhante à utilizada pelo delator do mensalão, o ex-deputado federal Roberto Jefferson.


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