Relator da CPI antecipa opinião sobre ligação de Perillo com Cachoeira

Pressionado, Odair Cunha diz que tucano se associou à rede criminosa do bicheiro: ‘Quem deveria prender o contraventor sentou nessa cadeira e o chamou de empresário’

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Pressionado pela oposição, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG), antecipou esta terça-feira sua opinião sobre a ligação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com a organização do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira .

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“Não vamos produzir nessa CPI um oceano de fumaça para não acharmos quem de verdade essa criminosa cooptou, corrompeu”, esbravejou Cunha. “Quem deveria combater a contravenção em Goiás se associou a ela. E nós temos que buscar provas disso. E essa organização, que teve no governo de Goiás uma associação, quem deveria prender o contraventor foi seu aliado. Sentou nessa cadeira aqui e o chamou de empresário”.

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O posicionamento de Cunha aconteceu após fala de dez minutos do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). O tucano criticou as perguntas feitas pelo relator ao arquiteto Alexandre Milhomem , contratado para reformar a casa de Perillo. “Chamamos o depoente para falar sobre papel de parede?”, questionou Sampaio.

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O oposicionista também classificou de “mesquinho” o trabalho de Cunha. O acusou ainda de proteger o governador Agnelo Queiroz, de “diminuir” o papel da comissão e de direcioná-lo contra Perillo. “O trabalho de Vossa Excelência deprecia esta CPI”, disse Sampaio. Cunha reagiu: “As pessoas que temos que convocar são as pessoas ligadas ao governador Marconi Perillo”, reafirmou.

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“Há indícios, evidências nas interceptações telefônicas, de que o senhor Lúcio Fiúza, assessor de longa data do governador Marconi Perillo, recebeu quantias em espécie (da organização criminosa). Ele tem que vir aqui falar”, frisou o relator. “Por que Vossa Excelência não questionou aqui o silêncio do senhor Lúcio Fiúza ? Por que o senhor não questionou aqui o silencio do senhor Wladimir Garcêz?”.

Fiúza e o ex-vereador Garcêz são citados no inquérito da Polícia Federal por envolvimento na venda da casa de Perillo, que ganhou os holofotes por ter sido o local onde Cachoeira foi preso. No desabafo, Cunha comentou também a decisão recente da Justiça de validar o inquérito policial.

“Há indícios contundentes da infiltração da organização criminosa em Goiás. Por muito pouco toda a interceptação e todo o trabalho da Polícia Federa não foi para a lata do lixo. Só restaria a essa CPI para produzir provas”, assinalou Cunha.

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