Derrotado por Serra nas prévias, Aníbal critica 'chapão' e aliança com PSD

Apesar de desaprovar resultado de reunião do PSDB da última quinta-feira, secretário estadual de Energia afirmou que é 'homem de partido' e vai apoiar o candidato a prefeito

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

Derrotado nas prévias do PSDB que definiram o ex-governador José Serra como pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, chegou à convenção municipal do partido, neste domingo, criticando a coligação proporcional aprovada pela executiva na última quinta-feira . O chamado "chapão" dos candidatos a vereador envolverá, além dos tucanos, o PSD do prefeito Gilberto Kassab , o DEM e o PR. Em princípio, o PV, que também faz parte da coligação majoritária, fica de fora, já que inicialmente não havia demonstrado interesse na aliança.

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AE
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"Eu era contra o chapão. Se a votação tivesse sido secreta, acho que teríamos vencido. Muita gente ficou constrangida em votar publicamente contra essa aliança", afirmou Aníbal na chegada à convenção, realizada no Ginásio do Ibirapuera, zona sul da capital paulista. "Há muitas indicações de que nós diminuiríamos nossa bancada. O partido está se aliando com uma força política que teve uma ação predatória contra o nosso partido."

A proposta do "chapão" foi acolhida por 41 votos a 27. Como contrapartida à ala descontente do PSDB, a escolha do vice de Serra foi delegada à Executiva Municipal – o que aumenta, em tese, as chances de uma chapa puro sangue com a indicação de um tucano para a vice.

Tucanos da Executiva Nacional e do Diretório Municipal resistiam à ideia de fechar a coligação proporcional especialmente com o PSD, temerosos de que a força da máquina municipal beneficiasse os kassabistas. Atualmente, o PSD possui a segunda maior bancada da Câmara, com 10 vereadores (só atrás do PT, que tem 11). O PSDB, que tinha 13 antes da criação do PSD, hoje conta com 7 vereadores. O DEM não tem nenhum. O receio é de que a legenda de Kassab se transforme em uma "superbancada" em São Paulo.

A Câmara Municipal de São Paulo tem 55 vagas de vereadores. O cálculo da quantidade dos votos necessários para se eleger varia de acordo com o chamado quociente eleitoral do município, que é obtido por meio da divisão do total de votos válidos (menos os brancos e nulos) – sejam eles nominais ou de legenda – pelo número de vagas da Câmara. Já a divisão entre as cadeiras disponíveis e os partidos é feita pelo quociente partidário – número resultante da divisão do número de votos válidos sob a mesma legenda ou coligação pelo quociente eleitoral.

Nesse caso, a coligação funciona como um único partido: quem tiver mais votos dentro da coligação, está eleito, independentemente da legenda a que pertença. Aí reside a grande preocupação de parte do PSDB.

'Homem de partido’

Apesar de ter sido derrotado por Serra nas prévias e também na votação sobre o “chapão”, José Aníbal disse que está à disposição do PSDB para ajudar na campanha do tucano. “Eu sou um político de partido. Acho que tem de haver uma vocação partidária sempre. Não sou um político profissional. A maior parte da minha vida política foi sem mandato”

Serra entrou tardiamente no inédito processo de prévias que definiram o pré-candidato do PSDB, apenas no final de fevereiro. Até então, os postulantes à candidatura eram Aníball; o ex-secretário estadual de Cultura, Andréa Matarazzo; o do Meio Ambiente, Bruno Covas; e o deputado federal Ricardo Trípoli.

Após a entrada de Serra, que até então vinha rechaçando a possibilidade de ser candidato a prefeito novamente, Matarazzo e Covas abriram mão da pré-candidatura. Nas prévias, realizadas no dia 25 de março, Serra venceu com 52,1% dos votos. Aníbal teve 31,2%, e Trípoli, 16,7%.

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