‘Alguém está mentindo’, diz relator sobre casa de Perillo

Odair Cunha afirma ao iG ver ‘nítida contradição’ em versões sobre a venda do imóvel do governador, que depõe terça-feira na CPI

Fred Raposo e Adriano Ceolin - iG Brasília |

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG), afirma em entrevista exclusiva ao iG que a história da venda da casa do governador Marconi Perillo (PSDB) se “complicou” após o empresário Walter Paulo Santiago dar nova versão sobre o negócio . “Há uma nítida contradição entre o que diz o governador Marconi Perillo, o que diz o senhor Walter Paulo e o que diz o senhor Wladimir Garcez. Alguém nesta história está mentindo”, diz Cunha.

Há três versões para a venda do imóvel, que ganhou os holofotes por ter pertencido a Perillo e ter sido o local onde ocorreu a prisão do bicheiro Carlos Augusto Ramos , o Carlinhos Cachoeira. Quando o caso veio à tona, Perillo afirmou ter vendido a casa ao empresário Walter Paulo Santiago, e que foi pago em três cheques, em negócio intermediado pelo ex-vereador goiano Wladimir Garcez, suspeito de integrar o esquema de Cachoeira.

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Na CPI, contudo, Garcez explicou que comprou a casa de Perillo por R$ 1,4 milhão, e que os cheques foram entregues a Lúcio Fiúza, ex-assessor do governador . Na última terça, Walter Paulo – dono da Faculdade Padrão, em Goiânia, e apontado pela Polícia Federal como “laranja” de Cachoeira – contradisse Perillo ao afirmar ter pago a casa em notas de R$ 50 e R$ 100, e que o dinheiro havia sido entregue a Garcez e a Fiuza.

“Precisamos ouvir o governador Marconi Perillo. Quero entender que ele terá oportunidade de se explicar. Se for necessário, depois podemos pedir uma acareação”, afirma Cunha ao iG . Perillo depõe na CPI na terça-feira, dia 12. No dia seguinte, a comissão ouve o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) , suspeito de favorecer a empreiteira Delta Construções – que, segundo a polícia, era ligada a Cachoeira –, em contratos com o governo da capital.

O relator minimiza, contudo, as acusações contra o correligionário. “O nível de envolvimento da organização criminosa no Distrito Federal, por tudo que temos hoje, é muito menor comparando com o nível de envolvimento que existe no Estado de Goiás”. E acrescenta ser contra a comissão receber agora os govenadores: “Ainda não tivemos acesso a todas quebras de sigilos", assinala. "Eles deveriam vir mais ao final do processo de investigação”.

'Não me sinto pressionado', diz sobre Pagot

Cunha não garante a convocação do ex-diretor geral do Departamento Nacional de Obras de Infra-Estrutura (Dnit) Luiz Antonio Pagot, que acusa a quadrilha de Cachoeira de ter trabalhado a favor de sua demissão. O ex-diretor do Dnit se colocou à disposição da CPI . Grampos da polícia revelam que um diretor da Delta articulou o afastamento de Pagot do comando do órgão por estar atrapalhando os negócios da empresa com o governo.

“Até o momento este é o único indício que poderia justificar a vinda do senhor Pagot a esta CPI”, afirma Cunha. Ele evitou comentar declarações do ex-diretor do Dnit de que os parlamentares evitam convoca-lo por temer revelações que os liguem a Cachoeira. “Não vou fazer comentários sobre os adjetivos que o senhor Pagot queira lançar sobre a CPI. Tenho clareza do que queremos investigar. E não vou me sentir pressionado por ilação de qualquer natureza”.

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