Oposição entra com pedido na procuradoria para investigar Lula

Representação do PSDB e DEM acusa ex-presidente de corrupção ativa, tráfico de influência e tentativa de coação no encontro com o ministro do STF sobre mensalão

Reuters |

SÃO PAULO, 28 Mai (Reuters) - A oposição entrou nesta segunda-feira com uma representação na Procuradoria Geral da República pedindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja investigado por corrupção ativa, tráfico de influência e por tentativa de coação em processo penal.

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Revista: Lula teria procurado ministro do STF para adiar mensalão

A decisão foi motivada pela informação publicada em reportagem deste fim de semana da revista Veja, segundo a qual Lula teria se reunido com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teria discutido o adiamento do julgamento do mensalão, que deve acontecer nos próximos meses na corte.

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Mendes teria relatado à revista que se encontrou com Lula no escritório de seu ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que também já foi presidente do Supremo, e que o ex-presidente teria lhe oferecido proteção na CPI que investiga os laços do empresário Carlinhos Cachoeira com políticos e empresas.

Cachoeira está preso desde fevereiro, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais. No encontro, segundo a revista, Lula teria comentado com Mendes sobre um encontro que ele teria tido com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) em Berlim.

Demóstenes é alvo de um processo no Conselho de Ética no Senado que pode resultar em sua cassação. Segundo reportagens publicadas na imprensa e baseadas em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, o senador teria relatado a Cachoeira encontros reservados que teve com autoridades.

"O que se revelou foi um cerco ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional via CPI do Cachoeira. Isso é uma afronta a duas instituições", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

"O que pedimos é a instauração de procedimento para investigação policial do fato e pedimos também um processo em razão de crimes praticados alcançando três dispositivos do Código Penal", acrescentou.

Além de Dias, também assinam a representação o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PT), e o líder da minoria na Câmara, Mendes Thame (PSDB-SP).

"O Supremo Tribunal Federal não foi derrotado nem mesmo pelo autoritarismo, que cassou mandatos e fechou o Congresso Nacional, e não será derrotado agora", disse Dias.

A assessoria do ex-presidente Lula confirma o encontro com Mendes, mas nega o conteúdo da conversa revelado pela revista.

Escândalo deflagrado em 2005, durante o governo Lula, o mensalão seria um esquema em que parlamentares receberiam recursos em troca de apoio político ao governo.

O julgamento do caso no Supremo, que deve ocorrer nos próximos meses, tem 38 réus. Entre eles o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares.

(Reportagem de Eduardo Simões)

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