‘Estou tranquilo’, diz promotor do caso Celso Daniel sobre julgamento de amanhã

Ministério Público reafirmará tese de que crime foi encomendado e teve motivação política para condenar cinco réus acusados de matar prefeito de Santo André

Bruna Carvalho, iG São Paulo |

O promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo Márcio Augusto Friggi de Carvalho, responsável pela acusação dos cinco réus que respondem pela morte, em 2002, do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, afirmou nesta quarta-feira que está tranquilo em relação ao julgamento, que ocorrerá amanhã, em Itapecerica da Serra. “Estou absolutamente tranquilo com relação ao sucesso do julgamento de amanhã. A base probatória do MP é bastante consistente”, disse Carvalho.

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O MP reafirmará a tese de que o crime foi encomendado e que houve motivação política, diferente do que atesta a Polícia Civil, que concluiu que se tratou de um crime comum. "Amanhã, não será apresentada prova nova", afirmou.

Também de acordo com o promotor, a provável condenação dos cinco réus terá reflexo no julgamento do ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime. Sombra não está entre os réus que serão julgados amanhã porque dois recursos fizeram com que o processo que trata da acusação contra ele fosse desmembrado. Ainda não há data para julgamento. "Por mais que ele postergue, ele vai sentar no banco dos réus na mesma condição dos outros acusados."

A defesa arrolou 13 testemunhas que devem ser ouvidas durante o julgamento, com previsão de término na sexta-feira. Já a acusação não arrolou ninguém, segundo o promotor, “por absoluta falta de necessidade”, uma vez que as provas técnicas e os autos já seriam suficientes. Carvalho acredita que os réus serão condenados a penas que devem variar de 12 a 30 anos.

Em janeiro de 2002, o então prefeito de Santo André Celso Daniel foi sequestrado ao sair de um restaurante acompanhado de Sombra. Dois dias depois, foi executado a tiros, e seu corpo foi encontrado em Juquitiba, São Paulo.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi ao banco dos réus. Marcos Bispo dos Santos, que dirigia um dos carros durante o sequestro, foi julgado e condenado a 18 anos de prisão em 2010. Na quinta-feira, outros cinco envolvidos no sequestro e morte do prefeito responderão por homicídio duplamente qualificado: Itamar Messias da Silva, José Edson da Silva, Elcyd Oliveira Brito, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva.

O assassinato do petista Celso Daniel marcou um embate profundo entre o Ministério Público e o PT. Segundo a promotoria, o crime teve motivação política e foi executado a mando de Sombra.

Isso porque Celso Daniel teria descoberto que o dinheiro do esquema de corrupção instalado na prefeitura de Santo André para financiar campanhas eleitorais do PT estava sendo utilizado para arcar com gastos pessoais dos envolvidos. "O esquema para beneficiar o PT ele (Celso Daniel) sabia e concordava. Não concordou com o enriquecimento pessoal dos envolvidos", disse o promotor.

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