27/08 - 07:43 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Dever cumprido. Hillary Clinton foi direto ao ponto. É com Barack Obama que ela vai. Nada de deslumbramento. As pressões políticas, inimigos comuns e seus interesses a longo prazo a conduziram a esta parceria. Chega de psicodrama. É hora de unidade democrata depois da guerra civil. A ex-primeira-dama fez um chamado às armas em seu discurso na convenção democrata na terça feira à noite, conclamando suas tropas das batalhas das primárias a seguirem agora o vencedor Obama na grande guerra contra os republicanos em novembro.
Foi uma conversa fulminante com alvos preferenciais: os céticos, os ressentidos e os sonhadores (e vamos botar aqui o maridão, o ex-presidente Bill Clinton). O discurso foi uma artilharia de realidade. A linguagem no pronunciamento de 20 minutos foi de apoio incondicional e de rendição ao inevitável. O melhor ponto foi quando ela perguntou aos simpatizantes, em particular para as mulheres: vocês estão do meu lado por mim ou por minhas causas? Um necessário gesto de despojamento político.
Claro que a ex-primeira dama despejaria um endosso de Obama, mas era crucial alertar os vacilantes e incautos: não fiquem em casa no dia da eleição ou não caiam na tentação de votar em John McCain. É uma vingança idiota. Basta das picuinhas, enterrem as vaidades e bola para frente. Òbviamente que a unidade partidária é crucial e existe um senso de urgência quando a campanha republicana tenta tirar proveito das mágoas e atrair almas perdidas para suas hostes. Basta lembrar as dúvidas levantadas por Hillary Cllinton nas primárias se Obama está pronto para liderar os EUA.
Pesquisas antes do discurso eletrizante sinalizavam que uns 20% dos eleitores de Hillary nas primárias estavam prontos para votar em McCain em novembro. A margem não iria se sustentar, mas qualquer bloco de desertores pode ser fatal em uma eleição apertada.
Hillary Clinton foi enfática com os bolsões resistentes: não entrem uma fria, não embarquem na canoa de McCain, pois existe um imenso fosso separando republicanos dos democratas, enquanto a ponte a unindo a Obama é necessária e relativamente fácil de ser construída. E parece meio idiota este tipo de alerta. Exemplo: como mulheres fervorosas que subscrevem a agenda progressista de Hillary Clinton podem apoiar um candidato conservador que, se vencer, escolherá juízes para a Corte Suprema que irão reverter ou moderar medidas históricas como o direito ao aborto?
Seguir o comandante Obama na guerra contra os republicanos é um cálculo politico elementar para Hillary Clinton. Negar o fogo agora seria suicídio politico. Ela simplesmente está adiando seus sonhos e ambiçõoes. No momento, eles pertencem a Barack Obama. Quem sabe haja um novo dia para a ex-primeira-dama . Não importa se Hillary Clinton quer, no fundo do coração, a vitória de Obama em novembro. O que importa é que ela não seja culpada pela derrota. Em termos concretos, seu desempenho na terça-feira pode contribuir para a vitória.

Hillary discursou para mais de 20 mil pessoas em Denver / AP
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