Obama se reúne com premiê do Iraque a semanas da retirada americana

A 19 dias da retirada, Obama afirma que soldados deixarão país com a 'cabeça erguida' e que 'a história julgará' a invasão

iG São Paulo |

O presidente Barack Obama se encontrou nesta segunda-feira com o premiê iraquiano Nuri al-Maliki na Casa Branca, em Washington, em meio aos preparativos dos Estados Unidos para a retirada total de seus soldados do país até o final desse ano.

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Presidente Barack Obama e premiê iraquiano Nuri al-Maliki se cumprimentam durante encontro na Sala Oval da Casa Branca em Washington

Após a reunião, Obama afirmou que as tropas americanas deixarão o Iraque com "honra" e de "cabeça erguida" e que "a história julgará" a decisão de invadir o país, tomada pelo então presidente americano George W. Bush (2001 - 2009) em 2003.

Durante coletiva concedida ao lado de Maliki, Obama anunciou o fim da divisão da guerra do Iraque e alertou os vizinhos do Iraque que os EUA continuarão a ter um papel relevante na região, apesar da retirada em 31 de dezembro.

"Nossa forte presença no Oriente Médio permanece", disse Obama. "E os Estados Unidos nunca renunciarão da defesa de nossos aliados, nossos parceiros e nossos interesses."

A retirada dos americanos no dia 31 de dezembro marca o fim de uma guerra de quase nove anos de duração. Enquanto Obama e al-Maliki prometeram manter os laços entre os dois países fortes, a parceria entre Washington e Bagdá permanece obscura, especialmente com o Irã, vizinho do país, ansioso para firmar sua influência sobre o Iraque. Obama disse também nesta segunda-feira que outras nações não devem interferir na soberania do Iraque.

Além disso, há dúvidas se as autoridades do Iraque têm capacidade para estabilizar a política e a segurança do país. O número dos soldados presentes no Iraque variou entre 6 mil até 170 mil, durante o ápice do conflito em 2007.

Obama, o vice-presidente Joe Biden e a secretária de Estado Hillary Clinton se encontraram com al-Maliki na Sala Oval. Era esperado que o encontro tratasse, principalmente, em como os EUA e o Iraque continuarão a cooperação para a segurança sem a presença dos soldados americanos. Autoridades do Iraque  afirmaram que queriam ajuda dos militares dos EUA para treinar as suas forças de segurança, mas não chegaram a um acordo em que tipo de ajuda ou que proteções teriam esses americanos.

Segundo comunicado da Casa Branca, Obama e al-Maliki discutiriam a cooperação em assuntos como energia, comércio e educação. Outra preocupação que paira sobre as autoridades americanas está na questão de como o Iraque irá se relacionar com o Irã após a saída dos soldados.

Al-Maliki insistiu que o Iraque traçará seu futuro de acordo com seus interesses nacionais e não segundo às vontades do Irã ou de qualquer outro país. Mas alguns oficiais americanos sugeriram que a influência do Irã sobre o Iraque será inevitável.

Os dois países têm maiorias xiitas e são dominados por grupos xiitas. Muitos políticos iraquianos ficaram exilados no Irã durante o regime repressivo de Saddam Hussein (1979 - 2003).

Sobre a repressão na Síria, que segundo a ONU, deixou 4 mil mortos durante os confrontos entre as tropas do governo e os manifestantes, Obama e o premiê iraquiano permanecem com posições contrárias. Enquanto Obama pediu pela renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad, o Iraque tem tomado uma postura mais favorável a Damasco, alertando que a saída de Assad poderia desencadear uma guerra civil e se abstendo das votações da Liga Árabe para suspender o país .

Obama disse que ele e al-Maliki estavam profundamente preocupados com a repressão do governo sírio contra seu povo. E Obama afirmou que estava confiante que os movimentos do líder iraquiano em relação à Síria visavam aos interesses de sua nação. "Ainda que existam desacordos táticos, eu não tenho dúvida que essas decisões são feitas baseado no que é melhor para o Iraque, e não considerando o que o Irã gostaria de ver", disse Obama.

Depois, Obama e al-Maliki lembraram os soldados americanos que perderam suas vidas na guerra durante uma cerimônia no Cemitério Nacional de Arlington. Ciente do que chamou de "enorme investimento de sangue e tesouro", Obama disse que os EUA procurariam construir uma relação compreensiva com o Iraque, com objetivos de tornar esse país um modelo de democracia.

Al-Maliki disseram que o Iraque ainda precisará de ajuda nas questões de segurança, de combate ao terrorismo, de treinar e equipar os militares iraquianos, bem como outras áreas, incluindo educação, desenvolvimento e saúde. Ele disse que havia "aspirações muito altas" para o desenvolvimento das relações entre as duas nações.

Os EUA manterão uma presença significativa no Iraque, com cerca de 16 mil pessoas trabalhando na Embaixada dos EUA em Bagdá. O tamanho da embaixada foi um ponto de descontentamento por ver essa instituição como uma outra forma de os EUA perpetrarem sua influência no país.

Obama defendeu a proporção da embaixada, dizendo que havia necessidades especiais de segurança necessárias em uma país que enfrentou uma guerra tão longa. "Como presidente dos EUA, eu tenho que garantir que qualquer um que estiver no Iraque tentando ajudar os iraquianos fique protegido", disse. "Eu estou pondo civis no campo. Eu quero ter certeza que eles vão para casa, porque eles não são soldados."

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Presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, colocam coroa de flores no Cemitério Nacional de Arlington, Virgínia
Fim do treinamento da Otan

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou nesta segunda-feira que vai encerrar sua missão de treinamento das forças iraquianas até o final do ano, no mesmo dia em que termina o atual mandato. "Um acordo para estender esse bem-sucedido programa seria impossível, mesmo com todas as negociações desenvolvidas durante essas últimas semanas."

Segundo fontes locais, os contatos entre a organização e as autoridades de Bagdá para dar continuidade ao treinamento militar foram impedidos devido à recusa iraquiana em fornecer imunidade jurídica às tropas internacionais. A mesma falta de imunidade jurídica também forçaram os Estados Unidos a anunciarem a retirada total de seus efetivos no Iraque.

Leia também: Líderes recusam imunidade para soldados dos EUA que ficarem no Iraque

Apesar de anunciar o fim da missão, a Otan ressaltou que seguirá "totalmente comprometida" com o futuro do Iraque. "Estamos determinados a construir sobre os sucessos e o espírito de nossa missão de treino. Vamos seguir reforçando nossa associação e nossa relação política com o Iraque", assegurou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.

O político dinamarquês também lembrou que a paz e a estabilidade no país são "beneficentes para o conjunto da comunidade internacional".

A missão da Otan no Iraque - que foi iniciada em 2004, após um pedido das autoridades iraquianas -, é considerada "um êxito" pela aliança. "Nossos formadores devem se orgulhar do que conseguiram durante os últimos sete anos, contribuindo com a capacidade de segurança do Iraque e ajudando a desenvolver uma das forças mais sustentáveis e multiétnicas", reconheceu Rasmussen.

Segundo dados da organização, a missão da Otan no Iraque capacitou mais de 5 mil soldados militares e mais de 10 mil policiais, além de oferecer ao país mais de 115 milhões de euros em equipamentos militares.

Al-Maliki tinha pedido à aliança que extendesse sua missão de treinamento de oito anos para até o fim de 2013, mas insistiu que todos os soldados da Otan, assim como os do EUA, estivessem sujeitos à lei e ao sistema de Justiça iraquianos. Os EUA e a Otan temeram que os soldados não tivessem julgamentos justos em um país onde predomina o sentimento anti-ocidental.

Com AP e EFE

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