Obama deportou mais imigrantes ilegais no 1º mandato que Bush em oito anos

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Rigidez ajuda presidente a ganhar credibilidade junto a republicanos enquanto solicita revisão no sistema; ativistas consideram cruel deportação às vésperas de possíveis mudanças

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À medida que o presidente Barack Obama intensifica sua campanha para uma ampla reformulação do sistema nacional de imigração, os defensores de 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA para que ele impeça o que se tornou um dos esforços mais agressivos e eficientes em décadas: deportar pessoas que estão ilegalmente no país.

Em quatro anos, o governo Obama deportou o dobro de imigrantes ilegais do que o George W. Bush (2001-2009) em dois mandatos, em grande parte pela expansão e aperfeiçoamento dos programas da era de Bush de encontrar imigrantes em situação ilegal e enviá-los de volta para seu país. Até o final deste ano, as deportações sob Obama deverão chegar a 2 milhões, quase o mesmo número de deportações nos Estados Unidos entre 1892 a 1997.

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A rigidez com a imigração ilegal tem ajudado Obama a ganhar um pouco mais de credibilidade com os conservadores, à medida que ele solicita uma revisão do sistema até o fim do semestre. Mas também tem deixado o presidente pressionado entre poderosas e apaixonadas forças políticas em um momento crítico no debate sobre a imigração.

Embora críticos das novas leis de imigração afirmem que o relaxamento na aplicação da lei é uma das razões pelas quais se opõem à legalização desses residentes ilegais, ativistas afirmam que a política de deportação se tornou injusta e discriminatória que força as pessoas a se retirarem do país no momento errado - quando a eventual promessa de cidadania está mais próxima.

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"Impor um sistema falido agressivamente pouco antes do momento em que vamos modificá-lo não é apenas falta de compaixão, é crueldade", disse Jim Wallis, executivo da Sojourners, grupo de ação social cristão. "Se você vai desagregar famílias por causa das políticas, vamos levantar a voz contra você."

Oficiais do governo insistem que o governo tem trabalhado duro nos últimos quatro anos para tornar a deportação de criminosos uma prioridade, permitindo mais liberdade para que policiais decidam quem deverá voltar para seu país de origem. Eles disseram que a percepção de uma enorme repressão é errada e enganosa.

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"Estamos focados em uma administração inteligente e eficaz que prioriza a deportação de estrangeiros criminosos, aqueles que atravessaram a fronteira recentemente e violadores da lei de imigração", disse Matthew Chandler, porta-voz do Departamento de Segurança Interna.

Mas essas revindicações estão sendo questionadas por ativistas dos imigrantes, que disseram que muitos dos deportados não fizeram nada de errado a não ser entrar no país ilegalmente. Desde 2010, o governo deportou mais de 200 mil pais de crianças que são cidadãs norte-americanas, de acordo com um relatório recente.

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"Nossas comunidades estão sendo dilaceradas por pequenos delitos", disse Lorella Praeli, diretora de defesa e política na United We Dream, a maior rede de jovens imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Ela apontou para um caso no mês passado no Arizona, onde a mãe de um jovem ativista de imigração foi detida e colocada em um ônibus para ser deportada até que um protesto nas mídias sociais mudou sua situação."Queremos mais liderança por parte do presidente sobre esta questão."

Para Obama, a raiva crescente sobre deportações é um eco do que aconteceu no ano passado, quando ativistas se concentraram na situação dos imigrantes ilegais que tinham vindo para os Estados Unidos quando ainda eram crianças. Como parte de sua campanha à reeleição, o presidente adiou a retirada dos jovens do país.

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Agora, esses mesmos ativistas estão pressionando o presidente e seus principais assessores para expandir os adiamentos para uma gama maior de imigrantes ilegais no país. Neste mês, representantes de vários grupos apresentaram essa ideia em um bate-papo online com o principal conselheiro de política doméstica de Obama. O presidente foi confrontado diretamente em duas entrevistas recentes com redes de televisão de língua espanhola e durante um bate-papo online.

"No espírito de seu impulso para a reforma da imigração, você consideraria uma moratória sobre a deportação de imigrantes não criminosos?" Maria Elena Salinas da Univision perguntou a Obama no mês passado.

O presidente disse que não podia, refletindo a crença entre assessores da Casa Branca e seus aliados em Washington de que uma redução em grande escala na deportações poderia enfurecer os republicanos no Congresso e acabar com qualquer esperança de uma reforma da imigração bipartidária este ano.

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Em uma reunião na Casa Branca com ativistas de imigração este mês, Obama disse que uma moratória sobre deportações vai além do que ele poderia fazer legalmente e prejudicaria os esforços legislativos, de acordo com vários dos participantes presentes. Angela Maria Kelley, vice-presidente de política de imigração no Centro para o Progresso Americano, disse que alguns dos ativistas estavam simplesmente sendo pouco realistas.

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Obama faz discurso sobre Estado da União em fevereiro deste ano

Os oficiais também afirmaram que existem encargos legais sobre o governo, que precisa cumprir as leis que o Congresso aprova. De acordo com eles, grande parte do aumento nas deportações foram resultado de um enorme crescimento no financiamento do Congresso, com ordens para usar o dinheiro para cumprir as leis de imigração.

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No entanto, as políticas de deportação agressivas não conquistaram alguns dos críticos mais conservadores do presidente, que continuam insistindo que Obama está fazendo muito pouco para proteger a fronteira e reprimir os imigrantes ilegais.

Em uma audiência sobre a imigração na semana passada, o senador Jeff Sessions, protestou contra o que chamou de falta de fiscalização durante a posse de Obama mesmo enquanto oficiais da polícia do Capitólio arrastavam manifestantes pela imigração que gritavam para o governo "parar com as deportações agora!"

"Se este governo tivesse feito um trabalho melhor em administrar a lei, se tivesse sido mais eficaz para avançar com um sistema legal de imigração, então ele estaria em uma posição muito mais forte com o povo americano", disse Sessions.

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Janet Napolitano, a secretária de defesa doméstica, defendeu o governo, dizendo que os agentes de controle de imigração e de fronteira estão tendo um dos trabalhos mais difíceis do país.

"Eles são criticados pois estamos deportando muitas pessoas", disse Napolitano a Sessions. "E como eu mencionei em meu testemunho, temos deportado mais pessoas do que qualquer governo anterior ao nosso. E aí eles são criticados por não deportar todos que estão neste país ilegalmente ".

Por Michael D. Shear

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