Tropeços fazem rebeldes anti-Assad perderem apoio entre sírios

Radicalização divide partidários dos combatentes e torna nações ocidentais mais relutantes em fornecer armas aos opositores

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A mudança no clima político na Síria representou mais do que apenas um problema de relações públicas para os militantes do Exército Livre da Síria, que dependem de seus partidários para sobreviver ao poder de fogo do governo.

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Imagem de vídeo mostra rebeldes armados em um galpão: soldados rendidos podem ter sido executados, diz ONU

Uma diminuição desse apoio mina a capacidade dos rebeldes de lutar e vencer o que se tornou uma guerra devastadora, cuja violência deixou cerca de 40 mil mortos, colocou centenas de milhares em campos de refugiados e forçou mais de 1 milhão a abandonar suas casas.

As deficiências dos rebeldes foram agravadas pelas mudanças sofridas pela oposição, que se transformou de um grupo de civis e soldados desertores que se armaram após o governo reprimir manifestantes pacíficos para um que cada vez mais se alia a jihadistas extremistas.

Essa radicalização tem dividido partidários dos combatentes e tornou nações ocidentais mais relutantes em fornecer aos rebeldes armas que podem ajudar a romper o impasse que vem se intensificando.

E agora a postura arrogante e uma série de erros estão diminuindo o entusiasmo de alguns dos principais partidários dos rebeldes.

"Esperávamos que eles nos ajudassem a construir uma sociedade civilizada", lamentou um ativista civil em Saraqib, uma cidade do norte da Síria, onde os rebeldes foram filmados executando um grupo de soldados sírios desarmados , um ato que a ONU declarou um provável crime de guerra.

ONU: Vídeo de suposta execução de soldados sírios sugere crime de guerra

Vinte meses no que hoje pode ser chamado de guerra civil, pequenos atos de humilhação e atrocidades como execuções levaram muitos sírios a acreditar que alguns rebeldes estão cometendo atos tão errôneos quanto os do governo que combatem. A mudança mais significativa aconteceu entre os simpatizantes dos rebeldes, que não apenas cantam slogans que condenam o governo, mas também que criticam os rebeldes.

"O povo quer a reforma do Exército Livre da Síria", multidões têm gritado. "Nós amamos vocês. Consertem seus erros."

Líderes nominais do Exército Livre da Síria disseram que procuram adotar padrões éticos e afirmam que o governo é quem comete a grande maioria dos abusos, culpando grupos desonestos pelo mal comportamento rebelde.

Mas isso não diminuiu o desgosto após o vídeo divulgado na semana passada. "Todas as coisas ruins praticadas pelo regime, o Exército Livre Da Síria está copiando", disse Anna, uma trabalhadora de finanças em Damasco, a respeito do recente comportamento dos rebeldes.

Por Anne Barnard

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